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A automedicação, se devidamente enquadrada, pode constituir uma resposta válida no âmbito da saúde, defendeu esta terça-feira a Ordem dos Farmacêuticos (OF). A posição surge a propósito de um estudo que veio confirmar a dimensão de um hábito já enraizado na sociedade portuguesa, mas que carece de orientação para evitar potenciais perigos.
Em comunicado a Ordem reconhece que a prática contribui para a autonomia dos cidadãos, funcionando por vezes como paliativo face às dificuldades e morosidade no acesso aos cuidados de saúde primários. No entanto, sublinha que esta deve ser encarada de forma estruturada e responsável, assente numa avaliação fundamentada por parte do utente.
“O farmacêutico assume um papel determinante na promoção da literacia em saúde, apoiando os cidadãos na identificação das situações passíveis de serem geridas por automedicação e distinguindo-as das que exigem avaliação médica”, lê-se no documento. A OF defende ainda que “a implementação da intervenção do farmacêutico em situações clínicas ligeiras com recurso a protocolos preestabelecidos promove o aconselhamento e monitorização adequados à população”.
Estas declarações são uma reação ao estudo “Automedicação em Portugal: Práticas, Determinantes e Perfis Comportamentais”, também hoje divulgado, que traça um retrato alargado do fenómeno. A investigação, conduzida por Pedro Pita Barros e Carolina Santos, da NOVA School of Business & Economics (NOVA SBE), conclui que mais de metade dos portugueses recorre à automedicação, uma percentagem que surpreende pela magnitude.
A prática, segundo o trabalho, estende-se a domínios como a saúde mental e é frequentemente mantida fora do conhecimento do médico assistente. Um dos aspetos mais críticos identificado reside no consumo de medicamentos sujeitos a receita médica que as pessoas têm em casa, guardados de tratamentos anteriores. O estudo sugere, por isso, um reforço do papel do farmacêutico e aponta a necessidade de alargar as consultas de reconciliação terapêutica nas farmácias, medida considerada crucial para a segurança de doentes crónicos polimedicados.
A discussão, que promete aquecer o debate sobre a gestão dos recursos em saúde, põe assim o foco na necessidade de criar mecanismos que, sem desencorajar a autonomia do cidadão, garantam a segurança e a integração desta prática no sistema de saúde. O caminho, insiste a Ordem, passa obrigatoriamente pela informação clara e pelo acompanhamento profissional.
NR/HN/Lusa



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