SNS no centro da campanha: candidato classifica como “sem noção” quem nega caos

14 de Janeiro 2026

O candidato presidencial André Ventura acusou hoje o primeiro-ministro Luís Montenegro de ter uma "enorme falta de noção" sobre a realidade do Serviço Nacional de Saúde, reagindo às declarações do governante que negou a existência de caos no setor

Em resposta às afirmações do primeiro-ministro Luís Montenegro, que na segunda-feira defendeu existir apenas uma “perceção de caos” no Serviço Nacional de Saúde, mas que “isso não é a realidade”, o candidato André Ventura não poupou críticas. Falando a jornalistas antes de uma arruada em Braga, o líder do Chega deixou a firme convicção de que Montenegro vive desligado do país real. “Eu acho que nós temos um primeiro-ministro que tem uma enorme falta de noção do país real”, disparou, levantando a voz perto do fim da frase.

O cerne da contenda prende-se com a interpretação do estado da saúde pública. Montenegro insistiu na tese de que as dificuldades são mais uma questão de perceção coletiva do que um retrato fiel. Ventura, pelo contrário, agarra-se a exemplos concretos que, diz, pintam um quadro diferente. Apontou para casos de doentes urgentes que esperam vinte horas por atendimento, para falhas repetidas na resposta dos serviços de emergência e para a crónica falta de macas nos hospitaís. “Se o primeiro-ministro acha que não há nenhum caos na saúde e que isto é só uma questão de perceção, então está no país errado”, afirmou, com um tom de exasperação. “Ou então há um problema pior: o primeiro-ministro não conhece o país em que vive e os problemas que as pessoas estão a enfrentar”.

Questionado sobre o que faria, enquanto Presidente da República, perante tal posição do Governo, Ventura foi direto. Disse que diria a Montenegro “que ele é o maior sem noção do país, quando diz que não há caos na saúde”. Para o candidato, mais do que uma figura cerimonial, o chefe de Estado deve funcionar como “a voz da consciência de um Governo que está a errar e que está a governar mal”. Esta visão interventiva do cargo é um dos pilares da sua campanha. “É impossível um candidato presidencial olhar para isto e não dizer que um Presidente da República tem de falar ao país real e tem de dizer para onde é que o Governo não deve ir”, vincou, reforçando a ideia de que o Presidente “não é uma figura de enfeite”.

A crítica estendeu-se, ainda que de forma menos explícita, ao atual Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa. Ventura considerou que, no setor da saúde, o mandatário foi pouco exigente e pouco interventivo, faltando alertar “para o país real”. A ideia de um Presidente que atua como contrapeso político a um Governo que, na sua leitura, se afasta da realidade, ganha assim contornos mais nítidos.

Num momento mais lateral da troca de impressões com os jornalistas, surgiu a questão hipotética sobre a dissolução da Assembleia da República. Se um Governo ignorasse sistematicamente os alertas presidenciais, Ventura dissolveria? O candidato escusou-se a comentar o cenário, argumentando que, na sua condição atual, deve “promover a estabilidade das instituições e não a destruição das instituições”. Preferiu, em vez disso, regressar ao tema concreto da saúde e fechar com uma imagem vívida. “Senão, o Presidente da República tem de sair do Palácio de Belém, ir ao Palácio de São Bento, pegar no primeiro-ministro e levá-lo a uma visita guiada por todas as urgências deste país”, propôs, sugerindo que essa seria a forma de Montenegro constatar pessoalmente as longas esperas e as condições de trabalho dos profissionais.

NR/HN/Lusa

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