![]()
Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra conseguiu, através de um procedimento normalizado de reaproveitamento de medicamentos devolvidos pelos serviços clínicos, uma poupança superior a 1,65 milhões de euros apenas no ano de 2025. O montante resulta da operacionalização de uma Unidade de Tratamento de Revertências, com equipa dedicada, que garante o reaproveitamento seguro e rigoroso desses produtos.
Em paralelo, a instituição investiu, em 2024 e 2025, um total de 1 117 114,61 euros na modernização dos Serviços Farmacêuticos. O valor foi aplicado na requalificação de infraestruturas, na instalação de equipamentos como os Kardex, na melhoria das áreas de preparação e armazenamento — incluindo zonas para citotóxicos e armazéns avançados — e na criação de condições técnicas para a implementação do Sistema de Gestão Integrada do Circuito do Medicamento (SGICM). Este sistema está em funcionamento em toda a ULS desde dezembro de 2024.
Outras medidas adoptadas incluem a centralização total das aquisições de medicamentos, o abandono sistemático de ajustes directos ao abrigo do artigo 128.º e o reforço das previsões de necessidades para 2025 e 2026. O objectivo é garantir maior estabilidade no abastecimento e reduzir o risco de ruturas.
Para o Presidente do Conselho de Administração da ULS de Coimbra, Alexandre Lourenço (na imagem), “a gestão do medicamento é hoje uma área crítica de governação clínica e financeira”. “A criação da unidade de tratamento de revertências, a centralização dos processos e o investimento em infraestruturas permitiram transformar desperdício em valor, garantindo, simultaneamente, segurança, rastreabilidade e rigor”, afirmou. Lourenço realçou ainda que, para além da poupança, estas medidas representam “boa gestão pública, responsabilidade perante os cidadãos e disponibilização de recursos para onde são verdadeiramente necessários: os cuidados aos doentes”.
Já Ana Cristina Lebre, Directora do Serviço de Farmácia Hospitalar da ULS de Coimbra, frisou que “a análise crítica do circuito do medicamento, aliada à implementação de uma única aplicação informática em toda a ULS, permitiu a centralização de processos, aquisições mais criteriosas e um controlo mais eficaz da recepção de medicamentos com prazos de validade reduzidos”. Segundo a responsável, “os resultados apurados em 2025 evidenciam, de forma clara, o impacto do desperdício acumulado ao longo de anos por ausência de medidas adequadas de gestão das revertências”.
A consolidação deste caminho, referiu ainda Ana Cristina Lebre, exige “continuidade, investimento na formação e a consciencialização dos novos especialistas para o papel fundamental do farmacêutico hospitalar no equilíbrio entre inovação terapêutica e sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde”.
A ULS de Coimbra integra oito unidades hospitalares e vinte seis centros de saúde, empregando mais de 10 mil trabalhadores.
PR/HN/MM



0 Comments