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Num esforço para travar o que continua a ser a principal causa de morte a nível global, um consórcio pan-europeu avançou com um projeto ambicioso que mira o coração das cidades. O Cities@Heart, uma parceria público-privada que envolve trinta e quatro instituições, arrancou com o objetivo declarado de melhorar a saúde cardiovascular e reduzir as gritantes desigualdades no acesso aos cuidados em meio urbano. A iniciativa é liderada pelo Centro Médico Universitário de Utrecht, pela Universidade de Birmingham e pela farmacêutica Novartis.
Financiado pela Iniciativa de Saúde Inovadora da União Europeia, o projeto parte de um dado inescapável: cerca de três quartos da população europeia vive em áreas urbanas, onde fatores como a pobreza e a dificuldade de acesso a serviços de saúde agravam os riscos. As doenças cardiovasculares, que todos os anos ceifam mais de vinte milhões de vidas, têm um custo económico para a UE que chega a superar o seu orçamento anual. O cerne do problema, segundo os promotores, não é a falta de conhecimento médico, mas sim a falha na implementação das soluções já existentes junto das comunidades mais desfavorecidas.
“Grandes avanços foram feitos para melhorar o controlo das doenças do coração e da circulação, mas elas continuam a ser as maiores causadoras de morte no mundo”, afirma o professor Dipak Kotecha, diretor global do projeto. “O Cities@Heart visa abordar o principal fator que contribui para os maus resultados: as desigualdades em saúde e no acesso aos cuidados que afetam muitas comunidades nas nossas cidades”, explica. A abordagem assenta na cocriação, envolvendo de forma direta cidadãos, líderes comunitários, municípios, clínicos e parceiros industriais no desenho das intervenções.
A estratégia passará por testar e implementar medidas integradas em sete cidades piloto: Belfast, Birmingham, Cork, Izmir, Łódź, Udine e Utrecht. O foco incidirá sobre fatores de risco tratáveis, como a obesidade, a hipertensão e a diabetes, que estão na base de enfartes, acidentes vasculares cerebrais e outros problemas graves. Para além da dimensão comunitária, o projeto prevê a criação de um ecossistema digital de dados para harmonizar informação e avaliar o impacto económico das diferentes intervenções.
Do lado da indústria, Jesús Ponce, responsável da Novartis, sublinha a visão de um futuro sem mortes cardiovasculares evitáveis. “O projeto Cities@Heart representa uma oportunidade vital para responder às necessidades não satisfeitas de populações carentes na Europa através de parcerias ousadas e inovação colaborativa”, refere. O consórcio inclui ainda entidades como a Rede Europeia de Cidades Saudáveis da Organização Mundial da Saúde, a Federação Mundial do Coração e a Sociedade Europeia de Cardiologia.
A ambição é que, a partir do trabalho nestas sete cidades, se possam replicar estratégias bem-sucedidas por toda a rede europeia. O caminho, admitem, é longo e o desafio complexo, mas o ponto de partida está agora assente numa colaboração incomum que tenta colocar a saúde no centro da vida urbana.
PR/HN/MM



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