Crise no Hospital Amadora-Sintra leva autarquia a exigir ação governamental urgente

15 de Janeiro 2026

A Câmara da Amadora aprovou uma moção que alerta para a degradação extrema no Hospital Fernando Fonseca, com urgências sobrecarregadas e falta crónica de profissionais, exigindo ao Governo a nomeação de uma nova administração e reforço de meios

A Câmara Municipal da Amadora aprovou uma proposta que manifesta “profunda preocupação” com a situação no Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF), classificando-a de “extrema gravidade” e exigindo medidas urgentes ao Governo. O executivo, liderado pelo socialista Vítor Ferreira, aponta falhas estruturais e uma “preocupante inação” do poder central, que estariam na origem do colapso funcional da unidade, também conhecida como Hospital Amadora-Sintra.

A moção, a que a Lusa teve acesso, descreve um cenário de rutura nos serviços de urgência durante os primeiros dias de janeiro. Na passagem do dia 2 para 3 de janeiro, segundo dados compilados pela autarquia, a urgência geral funcionou durante várias horas com um único médico para toda a área ambulatória. Nessa altura, circulavam pelo servição 179 doentes, mais de sessenta dos quais internados no serviço de observação. Os tempos de espera dispararam para níveis considerados inaceitáveis: os casos triados como laranja, de muito urgente, aguardaram mais de seis horas por observação; os doentes com pulseira amarela chegaram a esperar além das vinte horas.

Este ambiente, que a proposta descreve como a colocar em risco “a segurança dos doentes e dos profissionais”, terá precipitado a demissão das chefias da urgência geral, da enfermeira diretora e do diretor clínico dos Cuidados de Saúde Primários. A Câmara sublinha que a administração do hospital se encontra demissionária desde novembro do ano passado, o que, na prática, “compromete não só a credibilidade da liderança e a capacidade decisória”, como impede a autarquia de ter um interlocutor válido para discutir matérias conjuntas.

Entre essas matérias está o apetrechamento da futura Unidade de Saúde Familiar (USF) Ribeiro Sanches, cuja construção está a cargo do município e se encontra “em franco desenvolvimento”. A falta de um interlocutor estável no hospital é vista como um entrave à sua eficaz futura operacionalização.

Para fazer face à crise, a proposta aprovada hoje – com os votos favoráveis do PS, da CDU e do Chega e o voto contra do PSD – exige ao Governo que, “com urgência”, proceda à “nomeação de um novo conselho de administração” para o HFF, dotado de um “mandato claro de reforço de recursos humanos e reorganização dos serviços de urgência e internamento”. Paralelamente, reclama o alargamento do número de camas na rede de cuidados continuados e lares do concelho e da área de influência do hospital, de forma a libertar camas no HFF.

A autarquia pede ainda uma resposta concreta “à escassez de profissionais do quadro”, de modo a reduzir a dependência de médicos tarefeiros, e a criação de novas USF no concelho. Este é um ponto sensível: a Amadora apresenta o menor número de médicos de família por habitante do país, deixando cerca de 180 mil dos 480 mil utentes sem esse acompanhamento.

No documento, a Câmara afasta a ideia de que os problemas sejam um “acidente” ou uma “inevitabilidade”. Em vez disso, caracteriza-os como o “resultado de uma estrutura subdimensionada” e de uma “degradação progressiva” alimentada por “medidas erradas”. A moção funciona assim como um apelo direto e contundente ao Ministério da Saúde, pressionando por uma intervenção rápida num hospital que serve uma população significativa da periferia lisboeta.

NR/HN/Lusa

1 Comment

  1. Margarida Matos

    Este hospital tem tanta categoria como todos os outros, ditos os melhores. Os médicos, os enfermeiros são sempre os responsáveis…. Então que passemos a pagar os serviços de saúde, tal como em outros países e se isso acontecer, de certeza que esta situação ficará resolvida.

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