Surto de peste suína africana no Huambo obriga ao abate sanitário de centenas de animais

15 de Janeiro 2026

Autoridades veterinárias confirmaram a doença, endémica no país, e impuseram restrições à movimentação de suínos e seus derivados na província. Campanhas de sensibilização estão previstas

Um foco de peste suína africana detetado na província do Huambo levou ao abate de centenas de suínos nos últimos dias. A confirmação laboratorial da doença, que não é transmissível aos humanos, foi realizada pelo Instituto de Investigação Veterinária de Angola, desencadeando de imediato a aplicação de medidas sanitárias de contenção.

O processo de diagnóstico, conforme explicado por José Sucumula, chefe de departamento de sanidade animal da direção-geral do Instituto dos Serviços de Veterinária, consumiu cerca de cinco dias, um intervalo considerado razoável para ativar o protocolo de resposta. “Daqui para frente temos que olhar a peste suína como um ente que deve merecer muita responsabilidade”, afirmou o responsável em declarações à Televisão Pública de Angola, sublinhando o carácter altamente contagioso e letal da doença para os animais.

De acordo com os dados apurados, pelo menos 260 cabeças de gado suíno foram já sacrificadas em explorações agropecuárias da região afetadas pelo surto. A peste suína africana é uma realidade endémica em Angola, constituindo, nas palavras de Sucumula, uma “grande preocupação” para as explorações de cariz empresarial, que albergam um efetivo considerável.

O especialista chamou a atenção para os riscos associados aos métodos de criação tradicionais, identificando o sistema de criação à solta como um potencial vetor para a propagação do vírus. “Precisamos começar a olhar principalmente para as questões de sensibilização, não só dos proprietários, mas da própria comunidade”, referiu, anunciando a distribuição futura de cartilhas informativas. O objetivo passa por incentivar a transição para um modelo de criação confinada, mais fácil de controlar.

Em reação ao surto, os serviços veterinários provinciais decidiram impor restrições à circulação de animais, equipamentos e produtos derivados de suínos nas zonas atingidas. Paralelamente, foi determinado um reforço da fiscalização sanitária nos mercados, feiras e outros pontos de venda, numa tentativa de circunscreber o impacto económico e sanitário do evento.

A situação, tratada com uma certa normalidade face ao seu carácter recorrente, obriga contudo a uma mobilização de recursos. O fantasma da doença, que tantos estragos causa à suinocultura, voltou a mostrar a sua face, exigindo respostas que vão muito para além do mero abate dos animais doentes.

NR/HN/Lusa

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