Açores alarga rede de alojamento em Lisboa para doentes em deslocação médica

16 de Janeiro 2026

Açores reforçam resposta de alojamento na capital portuguesa para utentes regionais que necessitam de cuidados de saúde no continente, com novos apartamentos incluindo soluções adaptadas

O executivo açoriano aumentou a capacidade do seu Serviço de Apoio ao Doente Deslocado (SADD) em Lisboa, integrando mais duas habitações na sua estrutura de acolhimento. A decisão, plasmada num novo protocolo, surge numa altura em que os números de deslocações mantêm uma trajetória ascendente e pretende dar uma resposta que a própria equipa do serviço identificou como necessária. A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, assumiu que o objetivo passa por mitigar as dificuldades inerentes a estas viagens forçadas.

O reforço concretiza-se com a adição de um apartamento T2, com dois quartos, e de um T1 adaptado para pessoas com mobilidade condicionada. Catarina Silva, que coordena a equipa do SADD no terreno, viu assim colmatada uma carência operacional. “A ideia é garantir uma resposta próxima, digna”, afirmou Seidi, sublinhando o carácter “humanista” que o serviço procura manter. O governo regional (PSD/CDS-PP/PPM) não esconde que a pressão sobre a estrutura tem sido considerável, justificando o investimento.

Em 2025, o SADD apoiou 832 utentes, um universo que deu origem a 1.139 processos individuais – alguns doentes realizaram múltiplas viagens ao longo do ano. Os principais destinos foram unidades de saúde lisboetas de referência, como o Instituto Português de Oncologia (IPO), os hospitais de Santa Cruz, Curry Cabral e Dona Estefânia. A esmagadora maioria dos utentes (54%) teve origem no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada (São Miguel), seguindo-se o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (34%) e o Hospital da Horta, no Faial (12%).

A atividade do serviço, contudo, vai muito além do simples alojamento. No ano passado, a equipa realizou mais de onze mil intervenções, um termo amplo que abrange desde o acompanhamento psicossocial até ao processamento burocrático de diárias de deslocação. Foram feitos 3.762 diagnósticos sociais e tratadas 6.751 diligências de vária ordem, números que ilustram a amplitude de uma tarefa que o governo classifica como “estrutura essencial e de elevada responsabilidade social”.

“Por detrás de cada um destes números estão histórias”, comentou a secretária regional, enfatizando o compromisso de continuar a melhorar as condições para “quem mais precisa”. O alojamento em Lisboa representa apenas a ponta visível de um icebergue de necessidades que o SADD tenta gerir diariamente, num esforço para suavizar o peso emocional e logístico de quem deixa as ilhas à procura de tratamento.

Comunicado do Governo Regional dos Açores: https://www.azores.gov.pt/comunicado-sadd-2026

NR/HN/Lusa

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