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A ADIFA – Associação de Distribuidores Farmacêuticos definiu um conjunto de cinco prioridades estratégicas para 2026, num cenário de pressão sobre as cadeias de abastecimento e sobre os sistemas de saúde. Os distribuidores farmacêuticos, responsáveis por assegurar o abastecimento contínuo às farmácias em todo o território nacional, enfrentam desafios estruturais que a associação pretende ver abordados através de medidas concretas.
No topo da lista está a sustentabilidade económica da distribuição. A ADIFA defende a implementação de um mecanismo de atualização automática dos preços dos medicamentos, alinhado com práticas de outros setores, como forma de garantir previsibilidade e estabilidade financeira às empresas. Num mercado de margens limitadas e fortemente regulado, a associação considera esta medida fundamental para assegurar a continuidade do serviço público e a competitividade do setor.
Outro eixo prioritário passa pela dispensa de medicamentos hospitalares em proximidade e pela reclassificação de medicamentos para o regime de ambulatório. A expansão nacional deste modelo, com as farmácias comunitárias a disporem estes medicamentos com o apoio logístico da distribuição, é vista como uma oportunidade para melhorar o acesso dos doentes e aliviar a pressão sobre as unidades hospitalares. A ADIFA refere que cerca de 82% dos medicamentos incluídos na dispensa em proximidade podem ser reclassificados sem custos adicionais para o Serviço Nacional de Saúde, mantendo a gratuitidade para os cidadãos.
A associação pretende ainda que a legislação nacional distinga claramente a atividade dos distribuidores farmacêuticos de serviço completo – empresas com cobertura nacional, gestão integral da cadeia e elevada especialização – de outros operadores com atividades mais limitadas geográfica ou tipologicamente. A consagração legal desta diferenciação é considerada essencial para reconhecer os deveres e direitos específicos deste segmento.
O reforço da intervenção em programas de saúde pública constitui outra prioridade. A fiabilidade operacional e a capilaridade logística do setor, demonstradas na distribuição de três milhões de doses de vacinas sazonais em 2025, são ativos que a ADIFA defende mobilizar de forma mais ampla. A associação aponta para o alargamento do apoio a outras vacinas do Plano Nacional e a iniciativas de rastreio, como as do cancro colorretal e de Helicobacter pylori.
Finalmente, a ADIFA acompanhará ativamente iniciativas legislativas nacionais e europeias com impacto direto no setor. A nível nacional, destaca-se o desenvolvimento do quadro jurídico para as entidades críticas, no qual a distribuição farmacêutica é reconhecida como serviço essencial, com todas as designações previstas até julho de 2026. A nível europeu, a associação seguirá a revisão da legislação farmacêutica da UE, que deve ser transposta entre 2026 e 2028 e que prioriza o combate à escassez de medicamentos.
“As prioridades estratégicas definidas pela ADIFA para 2026 refletem o compromisso do setor com a sustentabilidade económica, a resiliência das cadeias de abastecimento e a melhoria contínua do acesso dos cidadãos aos medicamentos e produtos de saúde em Portugal”, afirmou Nuno Flora, Presidente Executivo da ADIFA. A associação mantém-se disponível para colaborar com as autoridades e parceiros do setor ao longo do ano.
A ADIFA, constituída em 2017, reúne seis distribuidores de serviço completo que representam 94% da quota de mercado em Portugal: Alliance Healthcare, Botelho & Rodrigues, Cooprofar, Empifarma, OCP Portugal e Plural+Udifar.
PR/HN



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