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A CDU acusou o Governo, constituído pelo PSD e CDS-PP, de sabotar a concretização do novo Hospital Central do Alentejo, em Évora. Em comunicado divulgado pela sua coordenadora distrital, a coligação alega a existência de um padrão de obstrução por parte do executivo, com o desígnio claro de transferir encargos para outras entidades. Esta atitude, insiste a CDU, já terá reflexos nos prazos e na financeção da empreitada, cuja conclusão está prevista para 2027.
A crítica recai sobre uma suposta manobra para “criar as condições para a crítica às obras públicas e justificar a opção pelo negócio das Parcerias Público-Privadas”. O projeto estaria a ser instrumentalizado como “instrumento de disputa política e partidária e de favorecimento do PSD”, lê-se no documento. A recente subdelegação de competências da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no secretário de Estado da Gestão da Saúde, através de um despacho publicado em Diário da República, é apontada como prova de que “foi a ministra da Saúde quem deliberadamente atrasou o processo”. Esse atraso, segundo a CDU, teria como objetivos prejudicar a região e influenciar o resultado das eleições autárquicas, para além de servir de justificação para o saneamento da anterior direção da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC).
A coligação liderada pelo PCP e os Verdes realça que a estratégia do Governo passa por “empurrar para cima da Câmara de Évora e da ULSAC a responsabilidade pela obra”, algo que classifica como uma tentativa de sabotagem. A autarquia, agora sob gestão do PS, não se pode substituir ao Estado nessa função, argumenta, e a ULSAC carece dos meios técnicos e jurídicos para gerir uma empreitada que ultrapassa os 200 milhões de euros. Situações concretas são apontadas como estagnadas por culpa do executivo: o contrato de fiscalização caducou em fevereiro e o da construção terminou em dezembro, permanecendo por resolver questões críticas como as expropriações e as acessibilidades. Relativamente a estas últimas, a CDU menciona que o IMT e a Infraestruturas de Portugal se recusaram a desclassificar um troço da EN 114, criando mais um entrave logístico.
A nota termina com um apelo direto à autarquia de Évora para que demonstre firmeza e contrarie os entraves criados pelo Governo central. A construção do novo Hospital Central do Alentejo, uma reivindicação antiga da região, continua assim envolta em polémica e incerteza, com o timing político a sobrepor-se frequentemente às necessidades de planeamento e execução da obra.
NR/HN/Lusa



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