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A Câmara Municipal da Covilhã aprovou esta quinta-feira, de forma unânime, uma moção que exige a repescagem da realização da Prova Nacional de Acesso à Formação Especializada em Medicina para a Faculdade de Medicina da Universidade da Beira Interior. O documento, que seguirá para o Governo e outras entidades oficiais, surge do incómodo local com a deslocação forçada dos estudantes para centros como Lisboa ou Porto, um cenário que se instalou após a pandemia de Covid-19.
O presidente da autarquia, Hélio Fazendeiro, que apresentou a proposta, não esconde a frustração com o que classifica como um retrocesso. “É de inteira justiça voltar a ter este exame oficial, porque existem aqui, desde logo, condições académicas, logísticas e infraestruturais adequadas”, afirmou, sublinhando o investimento já feito e a capacidade instalada. A situação atual, na sua leitura, penaliza economicamente os jovens e desequilibra o território.
A moção assenta numa argumentação que vai além da mera conveniência logística. Fazendeiro invocou princípios como a equidade e a coesão territorial, alertando para o risco de se estar a configurar “mais uma desigualdade estrutural associada à interioridade”. O texto aponta o dedo a uma possível desvalorização do ensino médico fora dos grandes centros urbanos, num contexto nacional onde a fixação de profissionais de saúde no interior é uma dor de cabeça persistente.
Há, na visão do executivo, uma contradição entre o discurso político sobre a importância estratégica do interior e as medidas concretas. A centralização desta prova é vista como um sinal negativo que enfraquece o papel de instituições como a Faculdade de Medicina da UBI. A autarquia sustenta que a localização geográfica não deve ser um fator de penalização, mas antes uma variável neutralizada por políticas públicas que garantam efetiva igualdade de oportunidades.
O mal-estar na Covilhã reflete uma ferida antiga, reaberta com a não reversão do modelo adoptado durante o período excecional da pandemia. A moção traduz, assim, um apelo para que a normalidade prévia seja restaurada, reconhecendo o estatuto e a capacidade da instituição covilhanense. O assunto deverá agora passar para a esfera da decisão política central, num teste à sensibilidade do Governo para estas assimetrias territoriais.
NR/HN/Lusa



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