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O Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular divulgou o relatório socioeconómico referente a 2024. O documento, que perfaz 200 páginas, traça uma análise integrada da evolução da eurorregião Galiza-Norte de Portugal, insistindo no papel dos municípios como motores de desenvolvimento. A organização intermunicipal, que agrega 39 concelhos de ambos os lados da fronteira, pretende com este estudo fornecer ferramentas de análise para a conceção de políticas locais, com foco em setores como o solo industrial, a logística ou as exportações.
A segurança alimentar emerge como um dos eixos centrais da publicação, uma prioridade estratégica da União Europeia que as crises recentes tornaram mais premente. O relatório enfatiza a margem de atuação das autarquias, capazes de impulsionar iniciativas como hortas urbanas ou mercados de produtores que fortalecem a economia de proximidade. Nas zonas rurais, essas medidas podem ter um impacto direto no rendimento dos produtores, ainda que o estudo aponte a necessidade de uma maior organização da produção, tipicamente fragmentada em pequenas propriedades na região.
A promoção de circuitos curtos de comercialização e o fornecimento de produtos locais a cantinas públicas estão entre as propostas concretas avançadas. Os autores sugerem que estas ações sejam acompanhadas de apoio técnico aos agricultores e financiadas através dos programas PEPAC de Portugal e Espanha.
O relatório foi elaborado por Fernando González Laxe, professor da Universidade da Corunha e ex-presidente da Xunta de Galiza, e por Arlindo Cunha, docente da Universidade Católica do Porto e antigo ministro da Agricultura. Durante a apresentação, Arlindo Cunha sustentou que o abastecimento alimentar é uma prioridade transversal a todos os níveis de governação. “A margem de atuação dos municípios nesta área é grande”, afirmou, defendendo que estas entidades, com recursos e liderança política, “podem e devem dar um grande salto” na promoção de programas robustos de circuitos curtos, sobretudo em meios rurais.
Fernando González Laxe chamou a atenção para as contradições dos tempos atuais. “Consumimos produtos que temos tempo para cozinhar. Gastámos muito tempo nas redes sociais, mais de cinco horas por dia e cinco minutos a cozinhar e a consumir”, observou, ilustrando uma das seis tendências alimentares analisadas. Alertou ainda para o facto de as sociedades gastarem uma fatia cada vez menor do orçamento com alimentação, um fenómeno que urge contrariar com políticas de apoio aos setores agrícola e piscatório locais, reduzindo a dependência de importações. “A Galiza e o Norte de Portugal têm muitos recursos que podem transformar a eurorregião numa fortaleza no abastecimento”, frisou.
Miguel Fernández, presidente do Eixo Atlântico, classificou o estudo como uma ferramenta imprescindível para o lançamento de futuros projetos numa eurorregião que descreveu como a terceira maior área urbana da Península Ibérica. Apelou, paralelamente ao papel dos municípios, a uma corresponsabilização dos cidadãos, incentivando o consumo de bens alimentares de proveniência local.
O relatório completo está disponível para consulta em [http://www.eixoatlantico.com/documento.pdf].
NR/HN/Lusa



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