Eixo Atlântico aponta caminhos para fortalecer a economia local

16 de Janeiro 2026

O Eixo Atlântico apresentou em Viana do Castelo o seu relatório socioeconómico anual, sublinhando a função crucial dos municípios no desenvolvimento económico e na segurança alimentar da eurorregião Norte de Portugal-Galiza

O Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular divulgou o relatório socioeconómico referente a 2024. O documento, que perfaz 200 páginas, traça uma análise integrada da evolução da eurorregião Galiza-Norte de Portugal, insistindo no papel dos municípios como motores de desenvolvimento. A organização intermunicipal, que agrega 39 concelhos de ambos os lados da fronteira, pretende com este estudo fornecer ferramentas de análise para a conceção de políticas locais, com foco em setores como o solo industrial, a logística ou as exportações.

A segurança alimentar emerge como um dos eixos centrais da publicação, uma prioridade estratégica da União Europeia que as crises recentes tornaram mais premente. O relatório enfatiza a margem de atuação das autarquias, capazes de impulsionar iniciativas como hortas urbanas ou mercados de produtores que fortalecem a economia de proximidade. Nas zonas rurais, essas medidas podem ter um impacto direto no rendimento dos produtores, ainda que o estudo aponte a necessidade de uma maior organização da produção, tipicamente fragmentada em pequenas propriedades na região.

A promoção de circuitos curtos de comercialização e o fornecimento de produtos locais a cantinas públicas estão entre as propostas concretas avançadas. Os autores sugerem que estas ações sejam acompanhadas de apoio técnico aos agricultores e financiadas através dos programas PEPAC de Portugal e Espanha.

O relatório foi elaborado por Fernando González Laxe, professor da Universidade da Corunha e ex-presidente da Xunta de Galiza, e por Arlindo Cunha, docente da Universidade Católica do Porto e antigo ministro da Agricultura. Durante a apresentação, Arlindo Cunha sustentou que o abastecimento alimentar é uma prioridade transversal a todos os níveis de governação. “A margem de atuação dos municípios nesta área é grande”, afirmou, defendendo que estas entidades, com recursos e liderança política, “podem e devem dar um grande salto” na promoção de programas robustos de circuitos curtos, sobretudo em meios rurais.

Fernando González Laxe chamou a atenção para as contradições dos tempos atuais. “Consumimos produtos que temos tempo para cozinhar. Gastámos muito tempo nas redes sociais, mais de cinco horas por dia e cinco minutos a cozinhar e a consumir”, observou, ilustrando uma das seis tendências alimentares analisadas. Alertou ainda para o facto de as sociedades gastarem uma fatia cada vez menor do orçamento com alimentação, um fenómeno que urge contrariar com políticas de apoio aos setores agrícola e piscatório locais, reduzindo a dependência de importações. “A Galiza e o Norte de Portugal têm muitos recursos que podem transformar a eurorregião numa fortaleza no abastecimento”, frisou.

Miguel Fernández, presidente do Eixo Atlântico, classificou o estudo como uma ferramenta imprescindível para o lançamento de futuros projetos numa eurorregião que descreveu como a terceira maior área urbana da Península Ibérica. Apelou, paralelamente ao papel dos municípios, a uma corresponsabilização dos cidadãos, incentivando o consumo de bens alimentares de proveniência local.

O relatório completo está disponível para consulta em [http://www.eixoatlantico.com/documento.pdf].

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Estudo revela que 7 em cada 10 mulheres com enxaqueca hormonal não recebem tratamento personalizado

Um estudo da European Migraine and Headache Alliance (EMHA), realizado em colaboração com a MiGRA Portugal, revelou que 70% das mulheres que sofrem de enxaqueca hormonal não recebem um tratamento adaptado ao seu padrão de sintomas. A investigação envolveu 5.410 participantes de 13 países europeus, incluindo 464 respostas de Portugal, e foi apresentada recentemente no Parlamento Europeu.

Bastonário acusa Direção Executiva do SNS de limitar consultas e cirurgias em 2026

A Ordem dos Médicos manifestou preocupação com a orientação da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para travar, em 2026, o aumento de consultas e cirurgias nos hospitais e limitar o reforço de recursos humanos e financeiros, considerando que a medida poderá agravar a pressão já existente sobre o sistema e ter impacto negativo na resposta aos doentes.

Ordem dos Médicos lamenta morte de Joaquim Fidalgo Freitas

O antigo diretor do departamento de psiquiatria de Viseu e fundador da Associação Portuguesa para as Perturbações dos Desenvolvimento e Autismo (APPDA) de Viseu, Joaquim Fidalgo Freitas, morreu na segunda-feira aos 78 anos.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights