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Um esclarecimento emitido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) veio corrigir a informação que tinha circulado nos média nacionais a 13 de janeiro. De acordo com a nota à imprensa, o primeiro caso de infeção por Candida auris em território português foi identificado em 2022 — e não em 2023, como se chegou a noticiar.
A confirmação partiu do Laboratório Nacional de Referência (LNR) de Infeções Parasitárias e Fúngicas, do Departamento de Doenças Infeciosas do INSA. Os dados estão documentados num artigo científico publicado em agosto de 2023 no Journal of Fungi, com o título Candida auris in Intensive Care Setting: The First Case Reported in Portugal. O trabalho descreve a identificação molecular direta, o perfil de suscetibilidade a antifúngicos e a análise genómica por sequenciação de nova geração realizados na estirpe isolada.
O caso de 2022 não foi, contudo, um episódio isolado. Entre esse ano e 2025, o LNR confirmou anualmente a presença de Candida auris em amostras clínicas provenientes de diversos hospitais públicos das Regiões de Saúde Norte e de Lisboa e Vale do Tejo. A levedura emergente, que não integra a lista de microrganismos de notificação obrigatória no Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE), é reportada pelo laboratório ao Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistência a Antimicrobianos (PPCIRA) da Direção-Geral da Saúde, que por sua vez comunica os dados às instituições europeias, incluindo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC).
A Candida auris, identificada pela primeira vez no Japão em 2009, tem vindo a levantar uma preocupação crescente a nível global devido à sua rápida disseminação e associação a surtos nosocomiais. Estima-se que a taxa bruta de mortalidade hospitalar nas infeções por este agente ronde os 30% a 72%, percentagem que sobe entre os doentes críticos internados em unidades de cuidados intensivos. Na União Europeia, entre 2013 e 2021, foram reportados 1.812 casos de infeção ou colonização em 15 países, com um surto significativo registado no norte de Itália entre 2019 e 2021.
O LNR do INSA assume um papel central na identificação e caracterização de agentes de infeções fúngicas em Portugal, coordenando ainda a Rede Nacional de Vigilância Laboratorial de Infeções Fúngicas Invasivas, que conta com a participação de 15 laboratórios de microbiologia hospitalar do Serviço Nacional de Saúde.
NR/HN/Lusa



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