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Esta investigação revelou uma nova mutação genética no fungo, nunca antes descrita em espécies de Candida auris, que pode estar associada à sua resistência aos fármacos antifúngicos.
Considerada uma ameaça global à saúde pública, a Candida auris já foi detetada em cerca de 60 países e preocupa especialistas pela sua rápida disseminação e elevada taxa de mortalidade, que pode atingir até 60% dos doentes infetados. Este fungo coloniza a pele e pode causar infeções invasivas em pacientes com fatores de risco, como doenças graves, tratamentos invasivos, uso de antibióticos e imunossupressores. Destaca-se pela resistência a múltiplos antifúngicos e pela capacidade de persistir em superfícies e equipamentos, facilitando a transmissão em unidades de cuidados de saúde, sobretudo por contacto direto entre doentes, profissionais de saúde e superfícies contaminadas.
O estudo, publicado na revista Journal of Fungi, analisou oito casos identificados em 2023 num hospital da região Norte do país. Embora tenha ocorrido a morte de três doentes, nenhuma esteve exclusivamente relacionada com a infeção por Candida auris, mas sim com comorbilidades graves. Os investigadores identificaram uma mutação no fator de transcrição CRZ1 (S237Y), que está envolvido na resposta ao stress e na integridade da parede celular do fungo, sugerindo novos mecanismos de adaptação e tolerância antifúngica em ambiente hospitalar.
Para a equipa de investigação, compreender os mecanismos de resistência é crucial para desenvolver alternativas terapêuticas mais eficazes. O próximo passo será avaliar o impacto desta mutação na progressão da infeção e na resistência antimicrobiana da Candida auris, com o objetivo de controlar esta ameaça global.
Em Portugal, os casos de infeção por este fungo são ainda inferiores aos registados noutros países europeus. No entanto, a equipa sublinha a importância de manter estratégias eficazes de prevenção e controlo de infeção, nomeadamente através da deteção precoce em doentes de risco, higiene rigorosa das mãos, desinfeção de superfícies e equipamentos, e vigilância laboratorial. Estes cuidados são essenciais para limitar a propagação do fungo nas unidades de saúde.
Segundo dados do European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), entre 2013 e 2023 foram reportados mais de 4.000 casos de colonização ou infeção por Candida auris na União Europeia e no Espaço Económico Europeu, com um aumento significativo nos últimos anos. Em 2023, foram notificados 1.346 casos em 18 países, embora a dimensão real possa ser maior devido à falta de sistemas de vigilância e notificação uniformes.
Este trabalho envolveu também investigadores das áreas da medicina, saúde pública e ciências ambientais, destacando a necessidade de uma investigação translacional integrada entre instituições académicas e unidades de saúde para responder eficazmente a este desafio emergente em saúde pública.
notícia publicada aqui
FMUP/HN/AL



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