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A atividade de investigação clínica em Portugal manteve um ritmo de crescimento em 2025, com o Infarmed a registar 209 pedidos de ensaio, mais cinco face a 2024. Das submissões recebidas, a autoridade reguladora nacional deu luz verde a 190, num processo que, em média, consumiu apenas 32 dias desde a apresentação até ao despacho final. Este período representa uma aceleração notável quando comparado com os 45 dias de 2024 e os 71 de 2023, um avanço que o Infarmed atribui em parte a um projeto-piloto de avaliação acelerada para estudos mononacionais, desenvolvido em conjunto com a Comissão de Ética para a Investigação Clínica (CEIC).
A oncologia permaneceu, sem surpresa, a área terapêutica dominante, concentrando 63 dos ensaios submetidos. Seguiram-se as doenças do sistema imunitário, com 25, as do foro neurológico, com 19, e as cardiovasculares, com 18. Mas para lá dos números globais, a instituição destaca a evolução “muito significativa” nos ensaios de Fase I, aqueles que testam novas moléculas em seres humanos pela primeira vez. Estes passaram de 30 em 2023 para 44 no ano findo, um sinal que, na leitura do Infarmed, aponta para um reforço da capacidade do país para acolher investigação clínica de ponta. Esta tendência, acredita-se, poderá funcionar como uma âncora, facilitando que as fases seguintes dos estudos se mantenham em território nacional.
Outro dado que sobressai no balanço de 2025 prende-se com o papel de Portugal enquanto Estado-Membro Relator (EMR) no espaço europeu. O número de novos pedidos de ensaios multinacionais com Portugal nesta função cresceu de forma expressiva, de 13 para 22. No seu todo, foram submetidos 51 ensaios com o país como relator, o valor mais alto dos últimos anos, facto interpretado pela autoridade como um voto de confiança alargado na competência técnica e regulatória portuguesa. O comunicado, disponível no portal do Infarmed, salienta que estes elementos confirmam o “reforço do posicionamento do país como um destino cada vez mais atrativo e competitivo” para a investigação clínica na Europa.
NR/HN/Lusa



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