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O grupo parlamentar do Partido Socialista por Aveiro formalizou um pedido de esclarecimentos ao Governo, mais concretamente à tutela da Saúde, liderada por Margarida Tavares, acerca da operacionalidade da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Estarreja, sediada em Beduído. A iniciativa, tornada pública esta quinta-feira pela Federação Distrital de Aveiro do PS, surge na esteira de uma petição subscrita por utentes que relatam obstáculos persistentes na obtenção de médico de família e na marcação de consultas.
Na exposição enviada à ministra, os deputados Fernando Jesus, Eduardo Santos e Maria Inês Dias pretendem saber, em concreto, se o Ministério da Saúde tem efetivo conhecimento das dificuldades identificadas naquela estrutura do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) do Baixo Vouga. O texto do requerimento, com uma formulação directa, questiona igualmente se está prevista, a curto prazo, alguma avaliação externa ou interna aos serviços prestados na unidade de Beduído, que serve uma população considerável do concelho.
O cerne da inquietação prende-se, segundo os parlamentares, com a garantia de cuidados de saúde primários acessíveis e regulares. A petição dos utentes, que funcionou como detonador deste apelo político, descreve cenários de espera prolongada e uma perceção de subdimensionamento de recursos. No documento, os eleitos pelo círculo de Aveiro solicitam ainda que a tutela esclareça que medidas concretas — sobretudo no capítulo do reforço de profissionais — pretende implementar para melhorar a capacidade de resposta no município de Estarreja, um território com particularidades demográficas e sociais que, entendem, exigem uma abordagem específica.
A Federação Distrital do PS, na nota que divulgou, aproveitou para vincar, num registo mais político e menos técnico, o que chama de “compromisso inalterável” dos seus deputados com a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Reafirmaram, na mesma comunicação, a necessidade de salvaguardar o direito a cuidados de proximidade com qualidade, um princípio que consideram estar em risco naquela unidade. O caso de Estarreja ilustra, de resto, um tipo de pressão que se tem vindo a repetir em várias regiões do país, ainda que com matizes locais. A situação arrasta-se há meses, ao que apurámos, gerando um mal-estar crescente entre a população que depende da UCSP para o seu acompanhamento regular.
O requerimento está agora em apreciação pelos serviços do Ministério da Saúde, que terão de formular uma resposta oficial aos parlamentares. Não há, para já, um prazo definido para essa tomada de posição, nem qualquer reação formal por parte da administração regional de saúde ou da própria UCSP de Estarreja. A bola está, neste momento, no campo do Governo.
NR/HN/Lusa



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