Gripe recua em Portugal, mas mortalidade mantém-se acima do esperado

17 de Janeiro 2026

A atividade gripal diminuiu na semana de 5 a 11 de janeiro, com menos casos e redução de internamentos em cuidados intensivos. Contudo, o país regista ainda um excesso de mortalidade por todas as causas, segundo o INSA

Portugal assistiu a um recuo da atividade gripal na primeira semana completa de janeiro, com uma quebra acentuada no número de casos reportados e uma descida significativa na pressão sobre os cuidados intensivos. A má notícia, contudo, chega dos números da mortalidade por todas as causas, que se mantêm acima do limiar esperado em todo o território continental. O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) confirmou estes dados no seu boletim de vigilância mais recente.

“Foram identificados excessos de mortalidade em todas as regiões de Portugal continental, em ambos os sexos e nos grupos etários acima dos 65 anos”, lê-se no documento, que analisa o período de 5 a 11 de janeiro. Este padrão persiste, portanto, mesmo com a melhoria nos indicadores específicos da gripe.

Na prática, os laboratórios da rede de diagnóstico hospitalar identificaram apenas 753 casos positivos para gripe nessa semana. O número representa uma queda expressiva face aos 1.340 registados na semana anterior, de 29 de dezembro a 4 de janeiro. Desde o início da época, em finais de setembro de 2025, foram contabilizados 13.244 casos de gripe no meio de um total de 66.524 notificações de infeção respiratória.

O alívio nos serviços hospitalares de maior complexidade é um dos aspetos mais visíveis desta tendência de abrandamento. A proporção de casos de gripe nas unidades de cuidados intensivos (UCI) que reportaram dados caiu para 9,2%, depois de na semana anterior ter estado nos 19,1%. Foram sinalizados 11 novos casos em internamento de UCI. A maioria destes doentes, sete no total, tinha entre 45 e 64 anos. Quase todos, dez em onze, sofriam de pelo menos uma doença crónica subjacente. E apesar de todos integrarem grupos com recomendação para a vacinação sazonal, apenas um estava efetivamente vacinado.

Num olhar mais abrangente sobre toda a época gripal, as UCI já notificaram 130 casos graves. O vírus influenza tipo A, sem subtipagem na maioria das situações (109 casos), continua a ser dominante. A esmagadora maioria destes internados em estado crítico (113) tinha patologias crónicas prévias. Um dado que continua a suscitar análise é a baixa cobertura vacinal neste grupo de risco: dos 121 doentes com indicação para tomar a vacina, apenas 23 estavam protegidos.

O boletim do INSA aborda também a evolução das infeções respiratórias agudas graves (SARI), que apresentam agora uma tendência estável. A taxa de incidência fixou-se nos 10,3 casos por 100 mil habitantes, com 80 novos internamentos reportados. “As taxas de incidência de SARI permanecem mais elevadas no grupo etário dos 65 ou mais anos”, confirma o documento. Já entre as crianças mais pequenas, dos 0 aos 4 anos, o indicador tem vindo a cair de forma consistente.

Paralelamente à gripe, continuam a circular outros agentes patogénicos. O vírus sincicial respiratório mantém-se como o segundo vírus mais detetado, depois do influenza. Na semana em análise, foram identificados 300 casos positivos para outros vírus respiratórios, elevando o total desde setembro para 4.866.

O boletim de vigilância está disponível para consulta no site do INSA: https://www.insa.min-saude.pt/category/areas-de-atuacao/epidemiologia/gripe-boletim-semanal/.

PR/HN/MM

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