![]()
Uma equipa de investigação na Suíça desenvolveu agora uma alternativa considerada mais segura, baseada em materiais naturais como componentes da madeira e açúcares vegetais.
A inovação resulta do trabalho de investigadores do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Lausanne, que criaram uma nova camada de revestimento para o papel utilizado nos talões de caixa. Em vez de recorrer a compostos sintéticos potencialmente tóxicos, a solução utiliza lignina, um dos principais constituintes da madeira, combinada com açúcares de origem vegetal. Esta abordagem permite manter o princípio do papel térmico, mas reduz de forma significativa os riscos associados à exposição química.
Os recibos convencionais são produzidos com papel térmico, um tipo de papel que dispensa tinta e funciona através de um revestimento químico sensível ao calor, responsável pela formação dos caracteres impressos quando o papel passa pela impressora. Durante décadas, esse revestimento incluiu bisfenóis, como o bisfenol A ou o bisfenol S, utilizados para facilitar a reação térmica. No entanto, numerosos estudos científicos demonstraram que estas substâncias podem ser absorvidas pela pele e estão associadas a efeitos adversos no organismo.
Face a estas evidências, vários países começaram a limitar ou a proibir o uso de bisfenóis em papel térmico. A Suíça encontra-se entre os Estados que avançaram com restrições, o que tem acelerado a procura por alternativas. Uma das soluções desenvolvidas anteriormente foi o recurso a um composto químico conhecido como perfagast, apontado como menos perigoso. Ainda assim, especialistas consideram que este substituto não elimina totalmente os riscos para a saúde nem os impactos ambientais.
Outras tentativas de substituir os bisfenóis por substâncias naturais já tinham sido realizadas, mas esbarravam em limitações técnicas relevantes, sobretudo ao nível da qualidade da impressão. A fraca legibilidade e a rápida degradação dos caracteres tornavam essas soluções pouco viáveis para uso comercial.
A nova tecnologia desenvolvida pela equipa liderada por Jeremy Luterbacher representa um avanço neste contexto, ao conseguir combinar segurança, legibilidade e durabilidade. Os investigadores demonstraram que o novo revestimento permite obter talões com impressão mais nítida e resistente ao tempo, respondendo às exigências práticas do comércio e dos consumidores.
Os responsáveis pelo projecto indicaram que já estão em curso os preparativos para a criação de uma empresa de base tecnológica que permita produzir esta alternativa em escala industrial e facilitar a sua adopção pelo mercado. Apesar deste progresso, os cientistas sublinham que, do ponto de vista da saúde pública, a opção mais segura continua a ser a redução do uso de recibos em papel, incentivando os consumidores a dispensar a impressão sempre que possível.
A investigação foi publicada este mês na revista científica Science Advances, reforçando o debate internacional sobre a necessidade de tornar os materiais de uso quotidiano mais seguros e sustentáveis.
lusa/Science Advances/HN



0 Comments