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O encontro entre a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) e a tutela está agendado para as 16 horas de terça-feira, no Ministério da Saúde, em Lisboa. Será a primeira ronda negocial desde a assinatura de um protocolo a 9 de janeiro, um documento que a estrutura sindical quer ver cumprido na íntegra e sem rodeios. A reunião ganha um contorno renovado com a presença do novo presidente da federação, André Gomes (na imagem), que tomou posse no passado sábado.
Em declarações à Lusa, Joana Bordalo e Sá, agora vice-presidente da Fnam, não esconde que este primeiro confronto direto com o Governo será decisivo para aferir a seriedade dos compromissos. A ex-presidente, que liderou a federação entre 2023 e 2025, frisou que a exigência passa por um processo “sério” e “transparente”, com a esperança de sair da reunião com um calendário definido. “Começaremos pela avaliação e progressão dos médicos”, adiantou, deixando no ar um ponto de partida que considera não negociável.
Para além das questões salariais, há uma panóplia de outras matérias consideradas estruturais que a Fnam insiste em trazer para cima da mesa. A reintegração do internato na carreira geral, a revisão da jornada semanal de trabalho ou a reposição dos dias de férias perdidos são algumas delas. A proteção da parentalidade e a criação de um regime de dedicação exclusiva, este “opcional e devidamente valorizado”, completam um leque de prioridades que, no fundo, visam um objetivo único: ter mais médicos no Serviço Nacional de Saúde.
A passagem de testemunho na presidência, de Joana Bordalo e Sá para André Gomes, seguiu o princípio de rotatividade que rege a organização. “É uma regra, não apenas uma tradição”, explicou a dirigente, sublinhando que a presidência passou agora ao presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul. Com 35 anos, natural de Lisboa e médico de saúde pública na ULS do Alto Alentejo, André Gomes traz um percurso de participação cívica e política conhecido, incluindo uma candidatura pela CDU à Câmara de Santarém em 2021.
A nova comissão executiva assegura continuidade, segundo Joana Bordalo e Sá. É composta por dez elementos dos três sindicatos que formam a Fnam e conta com o apoio de vice-presidentes experientes. “A Fnam tem um princípio democrático, rotativo, que garante continuidade da ação sindical”, afirmou, acrescentando que o trabalho assenta numa “liderança colegial”. A própria e Noel Carrilho, presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Centro, ocupam agora as vice-presidências, trazendo para a equipa a memória dos mandatos anteriores.
A dirigente sindical concluiu, com um tom que misturava determinação e cautela, que a federação entra neste novo ciclo com estabilidade interna e experiência acumulada. O foco, garantiu, permanece total na defesa dos médicos e do SNS. Resta saber que eco terão estas exigências junto do Governo, numa negociação que se adivinha longa e complexa, começando já no final da tarde de terça-feira.
NR/HN/Lusa



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