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A possibilidade de um doente administrar a sua terapia com anticorpos monoclonais em casa, evitando deslocações hospitalares frequentes, depende de um equilíbrio complexo. A formulação precisa de ser altamente concentrada para ser eficaz no volume reduzido que pode ser injetado sob a pele, mas sem se tornar demasiado espessa. “Não é incomum que a viscosidade seja superior à do azeite”, descreve Lars Schäfer, professor da Ruhr-Universität Bochum, ilustrando o cerne do problema que tem dificultado este avanço. A solução tradicional passava por um processo de tentativa e erro, lento e dispendioso, testando inúmeras combinações de excipientes.
A colaboração entre o Centro de Química Teórica da universidade e a empresa farmacêutica Boehringer Ingelheim produziu uma ferramenta computacional que promete mudar esse paradigma. Os investigadores criaram um modelo de simulação de “granulação grossa” que, segundo Tobias Prass, primeiro autor do artigo, é “cerca de mil vezes mais rápido do que as simulações atomísticas”, mantendo a fidelidade química necessária para prever com rigor o comportamento das formulações. Esta velocidade permite explorar virtualmente um leque de possibilidades muito mais amplo.
Na prática, o método funciona como um filtro poderoso nas fases iniciais de desenvolvimento. Michaela Blech, da Boehringer Ingelheim, salienta que as simulações não servem apenas para confirmar dados experimentais. “Elas permitem o desenho racional de novas experiências e podem prever o seu resultado”, explica, destacando a poupança de tempo e recursos ao afastar rapidamente combinações pouco viáveis. É uma mudança de filosofia, de um processo quase empírico para um guiado por previsão teórica sólida.
O estudo, publicado no Journal of Physical Chemistry, detalha como o modelo foi validado com dados experimentais, mostrando uma correlação firme entre o previsto e o medido. O financiamento veio da própria empresa farmacêutica e da Deutsche Forschungsgemeinschaft. Esta ferramenta não cria novos princípios ativos, mas pode ser decisiva para os transformar em medicamentos práticos para o dia a dia do doente, tornando uma injeção subcutânea de um composto biológico complexo uma tarefa mais exequível fora do ambiente clínico. O caminho para a auto-administração ficou, por isso, um pouco mais claro.
Referência bibliográfica:
Tobias Prass, Michaela Blech, Fardin Motallebipour, Annika R. Kimmel, Christopher George, Samuel D. Winter, Lara Tupper, Sophie R. H. Kotz, Jan H. Wendorff, Lars V. Schäfer. Coarse-Grained Molecular Dynamics Simulations of Viscosity in Concentrated mAb Solutions. J. Phys. Chem. (2025). https://doi.org/10.1021/acs.jpcb.4c07593
Fonte da notícia: https://news.rub.de/english/press-releases/2026-01-16-chemistry-simulations-could-make-antibody-medicines-easier-inject
NR/HN/AlphaGalileo



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