Ana Paula Martins garante que não há prova de falhas do INEM nos três óbitos

19 de Janeiro 2026

A ministra da Saúde disse hoje não existir, no momento, uma relação entre as três mortes que aconteceram após chamadas para o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e a prestação de socorro.

“Até termos um relatório que aponte se houve ou não falhas associadas a três desfechos fatais – que não podemos deixar de lamentar – não há, neste momento, uma relação entre estes infelizes desfechos fatais e o socorro”, afirmou Ana Paula Martins, durante uma intervenção no Hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo.

A governante lembrou que os três casos “estão a ser investigados”, sendo que todos eles estão a ser averiguados pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e pelo INEM e um deles também pelo Ministério Público (MP).

No início do mês, pelo menos três pessoas morreram depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo.

O INEM, que abriu uma auditoria sobre um dos casos, rejeitou responsabilidades e apontou a falta de meios e a retenção de macas nos hospitais.

Hoje, a ministra lembrou que “houve dias em que o INEM chegou a atingir os 5.500 pedidos de socorro e teve um tempo médio de resposta de 20/30 segundos”, a par de “uma taxa de acionamento muitíssimo elevada”.

“É importante que se conheçam rapidamente os resultados”, frisou.

“Estou todos os dias a aguardar pelo que é preciso aguardar, mas não estou sentada a aguardar. Estamos a trabalhar para que as coisas sejam cada vez melhores”, disse a ministra.

Questionada sobre se não seria já tempo de haver resultados relativamente ao trabalho, Ana Paula Martins assegurou que existem.

“E há resultados. Compreendo é que é muito mais fácil propalar noticias menos boas. Percebo perfeitamente que têm de ser divulgadas. Mas as que são boas ninguém as propala”, observou.

A 08 de janeiro, a propósito dos três casos, o primeiro-ministro referiu uma “reforma profunda do INEM que está em curso” para que haja “uma mais rápida resposta do serviço de emergência médica”.

“Estamos já a implementar a modernização tecnológica dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e a alteração do sistema de triagem. Em 2026, prosseguiremos a reforma estrutural da saúde para garantir uma resposta rápida, eficaz e humana em todo o território”, prosseguiu.

A comissão de trabalhadores do INEM recusou a 07 de janeiro ser “bode expiatório de falhas do SNS”, atribuindo à retenção de macas das ambulâncias nas urgências hospitalares a indisponibilidade de meios para socorro, como no caso do Seixal.

Um homem morreu no Seixal (Setúbal), depois de ter esperado três horas por meios de socorro que deviam ter chegado no máximo em uma hora, de acordo com a prioridade atribuída.

lusa/HN

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