Dois bebés morreram em Israel devido a incidente em creche ilegal

19 de Janeiro 2026

Dois bebés morreram e outros 53 foram hoje hospitalizados, após um incidente numa creche ilegal em Jerusalém, relacionado com um problema no sistema de aquecimento, segundo a imprensa israelita.

Uma das vítimas, uma menina, morreu no Hospital Shaare Zedek, para onde foi transportada em estado crítico, indicou o chefe da urgência hospitalar, Gal Pachis, numa declaração televisiva.

O Hospital Hadassah anunciou depois a morte de um menino, com cerca de seis meses de idade, apesar dos “esforços de reanimação da equipa médica”.

Os profissionais de saúde não precisaram a causa de qualquer das duas mortes.

A creche situava-se num apartamento de um bairro maioritariamente habitado por membros da comunidade judaica ultraortodoxa.

Antes, a Magen David Adom, equivalente israelita da Cruz Vermelha, tinha informado de que paramédicos estavam a “prestar cuidados médicos e a retirar 55 vítimas [do local e a transportá-las] para hospitais”, entre as quais “dois bebés em estado crítico”.

“Estão em curso tentativas de reanimação, e 53 bebés estão a ser submetidos a exames médicos e tratamentos adicionais”, acrescentou a organização num comunicado.

A polícia anunciou que três pessoas responsáveis pelos cuidados infantis na creche ilegal foram detidas para interrogatório.

Os bebés “perderam a vida numa instalação privada que funcionava sem licença ou supervisão, em violação da lei”, declarou o ministro da Educação israelita, Yoav Kisch.

O diário The Times of Israel noticiou que os investigadores estavam a analisar se o incidente estava relacionado com o sistema de aquecimento, mas tal não foi até agora confirmado.

“Peritos forenses estão no local” a conduzir uma investigação para “localizar provas e esclarecer as circunstâncias” do incidente, indicou a polícia num comunicado separado.

A creche funcionava no segundo andar de um edifício sem qualquer placa a assinalar a sua existência, indicou um jornalista da agência de notícias francesa, AFP, no local, acrescentando que não viu quaisquer sinais de incêndio ou de danos materiais no edifício.

Por entre a polícia e as equipas de socorro, Zalmi Neufeld, um residente no bairro de 22 anos, relatou ter visto “equipas de resgate a carregar crianças para fora do edifício”.

“Vi pais a chorar, muitas crianças a chorar”, acrescentou, “parecia uma zona de guerra”.

A polícia excluiu a hipótese de o incidente estar relacionado com substâncias perigosas.

Na rede social X, o Presidente israelita, Isaac Herzog, afirmou partilhar a “profunda tristeza” das famílias afetadas.

“A perda da vida de crianças tão pequenas é uma tragédia imensa e indescritível”, escreveu, apelando para que haja apuramento de responsabilidades.

lusa/HN

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