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A factura das unidades locais de saúde com medicamentos escalou para valores sem precedentes no decurso deste ano. Dados do relatório do Infarmed, a que a Lusa teve acesso, revelam que o Serviço Nacional de Saúde despendeu 2.206 milhões de euros entre janeiro e outubro de 2025, um salto considerável em relação aos 1.938 milhões gastos nos mesmos meses de 2024. Traduzido em valores absolutos, são mais 268 milhões de euros a pesar no orçamento da saúde, um crescimento que se fixa nos 13,8% e espelha uma pressão continuada nos custos hospitalares.
A esmagadora fatia desta despesa, sensivelmente 96%, teve origem nos hospitais, que consumiram 2.126 milhões de euros. Aos cuidados de saúde primários, como os centros de saúde, couberam os restantes 80 milhões. No panorama nacional, a ULS Santa Maria, em Lisboa, lidera a tabela de gastos com uma despesa que ronda os 251 milhões de euros. Seguem-se a ULS de Coimbra, com 197 milhões, e a ULS São José, em Lisboa, com 184 milhões gastos em medicamentos.
A explicação para este aumento substancial encontra-se, em grande medida, no peso avassalador dos tratamentos oncológicos. Só esta área terapêutica absorveu mais de 766 milhões de euros, o que equivale a quase 35% de toda a despesa medicamentosa do SNS no período em análise. Comparando com 2024, o custo com estes fármacos aumentou cerca de 126 milhões. A terapêutica do VIH também representa uma parcela significativa, com cerca de 209 milhões de euros, um acréscimo de 4,3 milhões face ao ano anterior.
Olhando para o ambulatório, a despesa do SNS alcançou os 1.569 milhões de euros, mais 177 milhões que em 2024. Paralelamente, os utentes gastaram do seu bolso aproximadamente 801 milhões de euros nas farmácias comunitárias. Nestes estabelecimentos, foram dispensadas mais de 169 milhões de embalagens de medicamentos, um número que supera em 9,1 milhões o do ano anterior.
Um caso particular que tem vindo a marcar a despesa pública é o dos medicamentos com semaglutido, uma substância usada no tratamento da diabetes tipo 2 mas com uma procura elevada devido ao seu efeito na perda de peso. Estes fármacos representaram um encargo de quase 42 milhões de euros para o SNS até outubro, um aumento de 8,7 milhões em relação aos dez meses anteriores. Esta subida ilustra como novas terapias e a expansão das suas indicações podem introduzir variáveis de custo imprevistas nos sistemas de saúde, num fenómeno que os peritos acompanham com atenção redobrada.
O documento do Infarmed, disponível para consulta pública, funciona assim como um retrato fiel das prioridades e dos encargos do sistema de saúde português, onde a inovação terapêutica, sobretudo em áreas como a oncologia, se reflecte directamente nas contas do Estado.
NR/HN/Lusa



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