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Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Nature Medicine e indicam que participantes treinados para aumentar a atividade da área tegmental ventral (ATV), uma região do cérebro ligada à motivação, recompensa e expectativas, apresentaram níveis mais elevados de anticorpos após a administração da vacina contra a hepatite B.
A ATV integra o sistema de recompensa do cérebro e é conhecida por desempenhar um papel central na regulação das expectativas e da motivação. Estudos anteriores em modelos animais já tinham demonstrado que este sistema pode influenciar a imunidade, mas até agora não era claro se a mesma relação se verificava em humanos.
Para explorar esta ligação, uma equipa de cientistas israelitas e norte-americanos, liderada por Nitzan Lubianiker, da Universidade de Tel Aviv, desenvolveu uma abordagem experimental inovadora baseada em neurofeedback. Os investigadores treinaram os participantes para melhorar a atividade da sua via de recompensa mesolímbica, que inclui a ATV, antes e durante o processo de vacinação.
Durante o treino, os participantes recorriam a estratégias mentais escolhidas por si próprios, como recordar experiências agradáveis ou viagens, enquanto a atividade cerebral era monitorizada em tempo real através de ressonância magnética funcional. Este sistema permitia visualizar a atividade da via mesolímbica, fornecendo feedback imediato sobre a eficácia das estratégias mentais utilizadas.
Com base nesse feedback, os participantes ajustavam progressivamente as suas estratégias ao longo de várias sessões, com o objetivo de alcançar e manter níveis mais elevados de atividade na ATV. No total, foram realizadas quatro sessões de treino, durante as quais os participantes receberam a vacina contra a hepatite B.
Foram efetuadas análises imunológicas ao sangue antes da vacinação e até quatro semanas após a administração da vacina. A análise dos resultados revelou que os participantes que conseguiram manter uma atividade mais elevada da ATV apresentaram um aumento significativamente maior dos níveis de anticorpos protetores no plasma sanguíneo.
Os investigadores observaram ainda que as estratégias mentais mais eficazes para sustentar a atividade da ATV estavam associadas a expectativas positivas, um mecanismo típico do efeito placebo. Esta associação reforça a hipótese de que o pensamento positivo, quando treinado de forma estruturada e monitorizada, pode desencadear respostas fisiológicas reais no sistema imunitário.
Embora os autores sublinhem a necessidade de ensaios clínicos de maior dimensão e de investigação adicional para confirmar o impacto clínico destas descobertas, consideram que os resultados abrem novas perspetivas para a identificação de alvos cerebrais associados ao efeito placebo em humanos. Esta linha de investigação poderá contribuir para o desenvolvimento de estratégias complementares aos tratamentos convencionais, explorando a interação entre cérebro e sistema imunitário de forma não invasiva.
lusa/HN



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