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A USF-AN – Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar considera chegada a hora de uma refundação da Linha SNS 24, assente numa avaliação transparente da sua qualidade e impacto. A entidade, que reconhece o papel estruturante do serviço telefónico, sobretudo evidenciado durante a pandemia, argumenta que a maturidade agora alcançada exige um debate estratégico. Esse debate deve focar-se na sustentabilidade, na governação e na inovação tecnológica, com o objetivo último de gerar mais valor em saúde para cidadãos e para o sistema.
Um dos pilares fundamentais exigidos pela USF-AN é a clarificação sobre a existência e a divulgação de avaliações formais independentes. A associação questiona se foram realizadas análises públicas sobre a segurança clínica, a adequação das referenciações ou o impacto nos cuidados primários e nas urgências. Na ausência de tais estudos, importa perceber as razões. Se existirem, a USF-AN quer saber onde estão os resultados, porque não são amplamente conhecidos e que medidas concretas deles decorreram. “Avaliar não é fragilizar. Avaliar é proteger os cidadãos, os profissionais e o próprio SNS”, pode ler-se no documento da associação, que insiste neste ponto como base da confiança.
Paralelamente, a USF-AN propõe uma mudança no modelo de governação, atualmente visto como excessivamente centralizado. A reorganização do SNS e a criação das Unidades Locais de Saúde abrem espaço, segundo a associação, para discutir uma descentralização progressiva. Neste cenário, cada ULS assumiria maior responsabilidade operacional na triagem e orientação dos seus utentes, articulando-se diretamente com os cuidados de saúde primários e os hospitais da sua área. Defende-se que esta opção traria uma maior adequação às realidades locais e uma responsabilização mais direta pelo afluxo às urgências, desde que acompanhada dos recursos humanos, financeiros e tecnológicos necessários.
A integração estruturada de inovação tecnológica é outro vetor considerado incontornável para a evolução do serviço. A experiência da pandemia, com a gestão de muitos casos de baixa complexidade através de autocuidados orientados e vigilância ativa, serve de exemplo. A USF-AN avança que a utilização de chatbots clínicos telefónicos e online, baseados em algoritmos validados e sob supervisão humana, poderia orientar eficazmente muitas situações. Tal ferramenta, argumentam, libertaria profissionais para casos mais complexos, reduziria desperdícios e aumentaria a satisfação de utentes e profissionais, desde que garantidos a segurança clínica, a auditoria contínua e alternativas para quem tem dificuldades digitais. A reforma da linha é vista, assim, não como um fim, mas como uma forma de qualificar a resposta, preparando-a para desafios futuros e reforçando a robustez do SNS.
PR/HN/MM



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