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A cientista alemã Nina Schmolka vai liderar uma nova unidade de investigação na Católica, em Lisboa, após se ter visto distinguida com uma prestigiada bolsa de instalação da Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO). O financiamento, no valor de 50 mil euros anuais durante um período de cinco anos, permitirá aprofundar o estudo das leucemias que surgem numa fase precoce da infância, um esforço que conta com o cofinanciamento em Portugal da Agência para a Investigação e Inovação, sucessora da anterior Fundação para a Ciência e Tecnologia.
Num comunicado divulgado pela universidade, Schmolka explicou que o cerne do seu trabalho passa por tentar compreender os mecanismos que regulam o desenvolvimento das células sanguíneas no embrião. “Este conhecimento pode ser utilizado para prevenir a transformação patológica das células do sangue e para desenvolver futuras estratégias terapêuticas”, referiu a investigadora. A sua linha de trabalho tem um duplo objetivo: identificar quais as vias biológicas que, quando sofrem desregulação, estão na origem de leucemias pediátricas e, em paralelo, melhorar a geração em laboratório de células estaminais hematopoiéticas.
Essas células, presentes na medula óssea e no sangue do cordão umbilical, possuem a capacidade notável de se diferenciarem em todos os tipos de células do sangue. Dominar a sua produção in vitro abre portas a avanços significativos na regeneração do sistema sanguíneo e imunológico, para além de poder revolucionar o tratamento de doenças oncológicas do sangue. O caminho, contudo, é longo e cheio de complexidades, algo que Schmolka conhece bem após anos dedicados a este nicho da biomedicina.
A instalação do novo laboratório representa não só um impulso para a carreira da investigadora, mas também um reforço na área da oncologia pediátrica dentro do panorama científico nacional. A bolsa da EMBO, altamente competitiva, é atribuída a jovens cientistas talentosos que demonstrem potencial excecional para estabelecerem os seus próprias equipas de pesquisa. O trabalho que daqui resultar poderá, no futuro, contribuir para o desenho de abordagens mais direcionadas e eficazes contra um tipo de cancro que, apesar dos progressos, continua a colocar desafios enormes às famílias e à comunidade médica. A notícia foi inicialmente avançada pela agência Lusa.
NR/HN/Lusa



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