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O afastamento das escolas médicas da formação central dos técnicos de emergência pré-hospitalar foi hoje classificado como um risco para a qualidade da preparação destes profissionais. A preocupação foi expressa pelo presidente da Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM), Paulo Paço, durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao INEM. A decisão, já formalizada numa deliberação do Conselho Diretivo do instituto, concentra na Escola Nacional de Bombeiros a formação para tripulantes de ambulância e suporte de vida, removendo a certificação direta do portfólio do INEM.
“Preocupa-nos um bocado”, admitiu Paço, reconhecendo a competência da escola de bombeiros, mas defendendo que as instituições de medicina tinham um “papel fundamental e preponderante”. O dirigente, que falou com a “frustração crua de quem está no terreno”, insistiu na necessidade de perceber “em que moldes é que a formação vai avançar”. Para a ANTEM, o modelo atual, mesmo antes da mudança, já era “claramente insuficiente”. “A formação que é dada aos parceiros do INEM é muito pouca para aquilo que é a necessidade nacional”, acentuou, argumentando que competências e protocolos deveriam estar consolidados “na base da pirâmide”.
O INEM confirmou à Lusa a redefinição do modelo, esclarecendo que passa a focar-se na formação institucional obrigatória de introdução ao Sistema Integrado de Emergência Médica e em cursos de protocolos. Num ponto que gerou alguma confusão, o instituto referiu, num esclarecimento posterior, que para a formação de profissionais médicos no novo modelo continua a contar com as escolas médicas. Esta nuance, no entanto, não parece tranquilizar os técnicos de ambulância, cuja formação específica muda de mãos. A decisão, segundo a Lusa, apanhará de surpresa o Conselho de Escolas Médicas, que tem uma reunião marcada com o INEM para a próxima semana.
Paulo Paço vincou que o setor vive uma “crise profunda”, fragilizado por uma “ausência de estudos independentes” e por decisões políticas “avulsas” e “erráticas” que, na sua leitura, comprometem a segurança. “Se realmente a decisão for retirar esta capacidade das escolas médicas, deixa-nos preocupados”, reforçou. A ANTEM pretende agora solicitar uma reunião urgente com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, para discutir o assunto.
A comissão de inquérito, proposta pela Iniciativa Liberal e que hoje reiniciou os trabalhos após uma pausa devido às eleições presidenciais, ouviu também, por videoconferência, Carlos Silva, da Sociedade Portuguesa de Emergência Pré‑Hospitalar. O objetivo da CPI é apurar responsabilidades sobre a greve no INEM no final de 2024 e a relação das tutelas com o instituto desde 2019.
NR/HN/Lusa



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