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O Governo reconheceu tacitamente que a situação no Serviço Nacional de Saúde é “bastante grave”, afirmou esta terça-feira Joana Bordalo e Sá, vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fnam). A dirigente sindical falava aos jornalistas após um encontroontem, de cerca de duas horas no Ministério da Saúde, no qual a tutela considerou essenciais as propostas da federação.
“A falta de médicos, a falta de meios, a falta de infraestruturas, isto de Norte a Sul do país”, enumerou Bordalo e Sá, descrevendo o diagnóstico partilhado. A reunião contou com a presença da ministra Ana Paula Martins, do secretário de Estado da Gestão da Saúde, Francisco Rocha Gonçalves, e da secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido.
Segundo a Fnam, houve consenso sobre a importância central das suas propostas para tornar o SNS mais atrativo, focando-se no internato médico, na parentalidade, e sobretudo na avaliação e progressão nas carreiras. “É fundamental para que os médicos sintam que têm uma carreira, que evoluem ao longo do tempo”, insistiu a vice-presidente, argumentando que esse reconhecimento deve traduzir-se também em melhoria salarial.
A reintegração dos médicos internos na carreira comum foi outro ponto abordado, uma medida que, na ótica do sindicato, poderá incentivar a permanência no serviço público após a especialidade. No início da reunião, o novo presidente da Fnam, André Gomes, havia expressado “boas expectativas” e “total abertura” para a ronda negocial que agora se inicia, com o objetivo declarado de proteger o SNS.
Os trabalhos prosseguem a 5 de fevereiro. Até lá, a estrutura liderada por André Gomes comprometeu-se a apresentar uma contraproposta concreta sobre o modelo de avaliação, tentando desbloquear uma das queixas mais persistentes da classe. A expectativa, deixaram no ar os representantes, é criar finalmente uma perceção de futuro para quem trabalha no sistema.
NR/HN/Lusa



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