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A partir de hoje, a população de nove freguesias centrais de Lisboa passa a ter uma nova porta de entrada para os cuidados de saúde mental. A segunda Equipa Comunitária de Saúde Mental (ECSM) da Unidade Local de Saúde (ULS) São José, sediada no Hospital de Santo António dos Capuchos, inicia o seu funcionamento regular, uma promessa antiga que ganha agora forma física nas antigas instalações da Consulta Externa de Oftalmologia, espaços que foram objeto de obras de remodelação financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência.
A designação técnica é Equipa Comunitária de Saúde Mental de Lisboa Central (ECSM-LC) e o seu raio de ação abrange um mosaico de bairros com características muito próprias: Estrela, Campo de Ourique, Santo António, Misericórdia, Santa Maria Maior, São Vicente, Arroios, Penha de França e Beato. No total, são cerca de 135 mil utentes potenciais que deixam de depender, para uma primeira linha de intervenção, exclusivamente dos serviços centralizados do Hospital Júlio de Matos. A nova estrutura funcionará em articulação com as dez unidades de saúde familiar e personalizada da ULS São José que já operam naquela área geográfica, tentando assim encurtar distâncias e desburocratizar acessos.
O modelo segue as diretrizes nacionais para os Serviços Locais de Saúde Mental, que privilegiam a intervenção na comunidade. A equipa, de carácter multidisciplinar, integrará profissionais das áreas de Psiquiatria, Enfermagem, Psicologia, Terapia Ocupacional e Serviço Social. O seu horário de funcionamento será das 08h30 às 18h00, nos dias úteis. Um dos aspetos fundamentais do projeto, destacado pela administração, é a capacidade para realizar apoio domiciliário sempre que a situação clínica do doente o justifique, quebrando as paredes físicas da instituição de saúde.
Rosa Valente de Matos, presidente do Conselho de Administração da ULS São José, enfatizou que este projeto consolida a aposta da instituição na prestação de cuidados em ambulatório e no domicílio. “Vai ao encontro das necessidades dos nossos doentes”, afirmou, sendo que a mesma nota de imprensa avançava outro objetivo: promover o trabalho em rede com “agentes de comunidade”. A ideia é que a intervenção não se limite à esfera clínica, mas que teça parcerias com estruturas sociais, culturais e até laborais das freguesias e do município, promovendo uma integração mais efetiva das pessoas na sua vida em sociedade.
A instituição espera que este desenho de proximidade se traduza em ganhos tangíveis, como uma redução no número de internamentos hospitalares, uma prevenção mais robusta de recaídas e um aumento da funcionalidade e autonomia dos utentes com doença mental grave. Este grupo, até agora maioritariamente seguido no Júlio de Matos, verá o seu acompanhamento transferido para uma estrutura mais próxima de casa.
Esta é a segunda equipa do género criada pela ULS São José, que serve os concelhos de Lisboa e Loures. A primeira, a ECSM de Loures/Catujal, foi inaugurada em dezembro de 2024 e já construiu um historial de atividade. Nos pouco mais de um ano de operação, acompanhou mais de 1.100 utentes e realizou cerca de 6.000 consultas nas várias valências. Realizou também 350 visitas domiciliárias, com um ritmo bissemanal focado na reabilitação, e mantém cinco grupos terapêuticos ativos, dedicados a temas como competências socioemocionais ou apoio a famílias.
O caminho, sublinham, tem sido o de garantir respostas que se ajustem às pessoas, reduzindo barreiras no acesso e promovendo uma continuidade de cuidados que muitas vezes se perdia na complexidade do sistema. O novo serviço no coração de Lisboa pretende agora replicar essa filosofia num território urbano denso e socialmente diversificado.
NR/HN



É com muito agrado que leio todas as vossas observações e informações sobre o Vosso novo Projecto desta vez no Hospital de São José!
Estarei atenta e se for possível participativa!