![]()
A fusão de três áreas distintas num único espaço amplo, de 57 metros quadrados, marcou a intervenção de fundo agora finalizada no Hospital de Dia de Torres Novas. A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo justificou a obra com a necessidade imperiosa de acompanhar uma curva ascendente de procura que se tem revelado inexorável. Nos últimos cinco anos, a atividade disparou, um fenómeno que pressionou as instalações anteriores e ditou a remodelação.
Os números, avançados pela própria administração, falam por si. Em 2023, realizaram-se 32.461 sessões, um valor que já representava um aumento de 13,9% face a 2022. A tendência não arrefeceu: mais 5% em 2024 e um salto significativo de 11,3% em 2025, ano em que, pela primeira vez, a barreira das 40 mil sessões anuais foi ultrapassada. Este crescimento reflete, nas palavras da instituição, uma mudança no perfil assistencial, com um peso crescente de tratamentos para patologias crónicas e oncológicas que exigem acompanhamento regular mas dispensam o internamento convencional.
“Para os doentes que frequentam o Hospital de Dia, muitas vezes durante meses ou anos, o espaço onde recebem tratamento faz uma diferença real no seu bem-estar”, admitiu Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo. O gestor não esconde que o investimento, rondando os 12.300 euros, teve um propósito claro para lá do físico. “Impacta diretamente a qualidade de vida dos doentes oncológicos e crónicos, permitindo acompanhar o aumento da procura e garantindo segurança, dignidade e humanização compatíveis com os padrões de qualidade que defendemos”, acrescentou.
A nova sala, descrita como moderna e funcional, foi pensada para permitir a utilização simultânea de vários equipamentos clínicos. Serve um leque alargado de especialidades, desde a Oncologia e a Nefrologia – onde se inclui a diálise – até à Dermatologia, Gastrenterologia ou Reumatologia. A reestruturação procurou ainda resolver questões técnicas, melhorando fluxos de trabalho, mas o foco, insistem, esteve sempre nas pessoas. Prometem “melhores condições de conforto, privacidade, segurança e humanização”, valores repetidos como um mantra face a doentes cujos tratamentos se estendem no tempo.
Esta ampliação integra-se numa visão estratégica mais lata para a rede hospitalar do Médio Tejo, que Casimiro Ramos define como centrada na “qualificação das infraestruturas e na resposta às necessidades reais da população”. A ULS, com sede precisamente em Torres Novas, gere três hospitais – em Abrantes, Tomar e Torres Novas – e 35 unidades de cuidados de saúde primários, cobrindo uma vasta área geográfica que se estende por partes dos distritos de Santarém e Castelo Branco. O Hospital de Dia assume-se, assim, como um pilar central na oferta ambulatório, aliviando pressões noutros serviços e tentando manter as pessoas o mais possível perto das suas rotinas e das suas casas.
NR/HN/Lusa



0 Comments