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O diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde, Álvaro Almeida, anunciou esta terça-feira a contratação urgente de 200 camas em unidades externas para a Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa. A medida, apresentada como uma solução imediata, pretende aliviar a pressão num hospital que permanece com o nível máximo do plano de contingência ativo e onde, ainda hoje, se registavam internamentos em corredores.
A revelação foi feita durante uma visita ao Hospital Padre Américo, em Penafiel, onde Álvaro Almeida se deslocou acompanhado pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que não dirigiu a palavra aos jornalistas. No encontro com o conselho de administração da ULS, ficou patente o desequilíbrio estrutural de uma unidade projetada para 300 mil pessoas, mas que na realidade assegura cuidados a uma população que ronda o meio milhão, dispersa por onze concelhos.
“Vamos tentar resolver o subdimensionamento com várias soluções. As soluções são, entre outras, a utilização de novas camas contratadas ao exterior, isto no curto prazo”, afirmou Álvaro Almeida, perante a imprensa. Para o médio prazo, avançou, está pensada a expansão física do próprio hospital. Uma ideia que foi imediatamente detalhada pelo presidente do conselho de administração, José Luís Gaspar. O responsável admitiu que a unidade precisa “sobretudo de muito planeamento” e revelou um projeto que prevê a construção de “um edifício de 10 andares” na zona do atual parque de estacionamento, a apresentar à tutela “até ao final deste ano”.
A situação de emergência, porém, mantém-se. Questionado sobre os relatos persistentes de doentes acamados nos corredores das urgências, Gaspar garantiu que o plano de contingência é do conhecimento de todos os serviços. A justificação para a sua manutenção até ao final do mês prende-se com a tentativa de gerir um fluxo que, só agora, começa a diminuir após o pico de dezembro. “Aqui tratamos doentes, portanto o doente tem de entrar. Obviamente às vezes não temos camas disponíveis e às vezes tem de aguardar até termos camas disponíveis, mas garantimos que tem a medicação e a vigilância adequadas”, sustentou.
Dados apresentados pela diretora clínica para a área dos Cuidados de Saúde Hospitalares, Filipa Carneiro, indicam que estão atualmente 11 doentes internados no serviço de urgência, um número significativamente inferior às 70 situações denunciadas pela Federação Nacional dos Médicos no início do mês. A FNAM tinha então exigido a divulgação pública do plano de contingência, um pedido que não foi atendido formalmente.
O plano em vigor, conforme descrito pela própria ULS em resposta à Lusa a 8 de janeiro, envolve um conjunto de medidas de “ajuste da atividade”. Inclui a suspensão temporária da cirurgia programada não urgente, o reforço da contratualização de camas externas para doentes agudos e crónicos, e a expansão da hospitalização domiciliária. No capítulo dos recursos humanos, a administração optou por mobilizar médicos de especialidades como Pneumologia ou Infecciologia para apoiar o Serviço de Medicina Interna, num esforço para reforçar as equipas de internamento.
A visita das figuras nacionais ao Padre Américo não trouxe assim anunciadas novas soluções mágicas, mas antes o reconhecimento tácito de uma realidade apertada, que obriga a remendos sucessivos. A contratação das 200 camas externas surge como o mais premente desses remendos, enquanto se aguarda por projetos de fundo que ainda estão no papel.
NR/HN/Lusa



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