Cyberbullying e conteúdos negativos na internet afetam saúde mental de jovens em Portugal

22 de Janeiro 2026

Um estudo realizado em Portugal revela que uma grande parte dos jovens entre os 10 e os 21 anos tem sido exposta involuntariamente a conteúdos prejudiciais na internet, incluindo discursos de ódio, violência, automutilação, suicídio e outros temas sensíveis. 

A investigação, conduzida pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, entrevistou 2.071 jovens e concluiu que 61,1% nunca procuraram ativamente estes conteúdos, mas mesmo assim foram expostos a eles. Cerca de 67,1% dos jovens afirmaram ter ficado perturbados com o que viram.

Nos últimos seis meses, 47,2% dos jovens testemunharam discursos de ódio, 45,3% visualizaram material violento e 39,7% conteúdos relacionados com o consumo de drogas. Outros 36,6% foram expostos a informações sobre automutilação, 35,3% a material que promove hábitos alimentares não saudáveis e 33% a conteúdos sexualizados. Além disso, 14,9% viram conteúdos que descreviam formas de cometer suicídio.

Relativamente ao cyberbullying, 21,9% dos jovens receberam comentários rudes ou ofensivos online, 14% viram rumores a circular sobre si, quase 12% experienciaram assédio online ou sentiram-se incomodados e 10,8% tiveram informação privada partilhada sem consentimento.

O estudo também identificou que jovens mais velhos e com estatuto socioeconómico mais baixo apresentam maior exposição ao cyberbullying e a conteúdos prejudiciais. As raparigas são mais frequentemente expostas a materiais que promovem comportamentos alimentares não saudáveis, enquanto os rapazes veem mais conteúdos sexualizados. Os jovens mais expostos a estes conteúdos tendem a apresentar pior saúde mental, incluindo mais pensamentos suicidas, sentimentos de vergonha intensos e menor satisfação com a vida.

Apesar disso, a exposição a conteúdos prejudiciais online não mostrou ligação direta com sentimentos de solidão ou ao desempenho escolar, especialmente quando existe apoio familiar, escolar e dos pares. O apoio positivo de amigos, a comunicação familiar saudável e ambientes escolares inclusivos são fatores protetores do bem-estar e do sucesso académico. Contudo, o cyberbullying esteve associado a maior consumo de álcool e pior qualidade do sono.

De um modo geral, tanto o cyberbullying como a exposição a conteúdos prejudiciais estão relacionados com pior ajustamento psicossocial, sendo que o cyberbullying apresenta riscos mais imediatos e graves para a saúde psicológica e comportamental dos jovens. A proteção contra estes riscos está fortemente ligada às relações sociais com família, amigos e escola.

O estudo conclui ainda que, no seu tempo de lazer, os jovens passam mais tempo online do que offline, com as redes sociais a serem a atividade preferida, onde 46,4% dos inquiridos referem passar mais de três horas por dia.

lusa/HN

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