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O município de Vila Verde, no distrito de Braga, registou a destruição de 638 ninhos de vespa velutina, comummente designada por vespa asiática, ao longo do ano de 2025. A operação, da responsabilidade do serviço municipal de proteção civil, recorreu sistematicamente à aplicação de um biocida, um método que veio substituir as antigas técnicas de incineração noturna. Os dados, que constam do relatório anual de atividades do serviço, foram divulgados pela autarquia.
O outono afirmou-se como a época de intervenção mais intensa, com cerca de dois terços do total de vespeiros a serem neutralizados nessa estação. A razão para este pico é simples e prende-se com a fenologia das próprias árvores: a queda da folha torna os ninhos, muitas vezes situados em copas altas, significativamente mais visíveis e acessíveis para as equipas no terreno.
Patrício Araújo, vereador com o pelouro da proteção civil em Vila Verde, não esconde uma certa satisfação com a evolução técnica do combate. “Os métodos de destruição evoluíram”, afirmou, sublinhando que a prática atual passa pela “inoculação de um biocida que é injetado no interior do ninho”. A operação é executada por operacionais da divisão de ambiente e obras, utilizando varas de carbono que permitem alcançar os ninhos com precisão e segurança.
O processo não é, contudo, imediato. Após a aplicação, o biocida atua no interior da colónia, provocando a sua morte progressiva. Este ciclo pode estender-se por um período de até duas semanas. É por isso que, como nota o autarca, “é normal que os vespeiros continuem a ser visíveis, apesar de se manterem inativos”. A estrutura vai-se desfazendo gradualmente com a ação do tempo, sem qualquer atividade no seu interior. Como procedimento padrão, após cada intervenção é afixado no local um aviso que informa: “Ninho destruído por aplicação de biocida”.
A presença da Vespa velutina nigrithorax, espécie originária do sudeste asiático, tem motivado uma resposta coordenada em diversos concelhos do norte do país. A sua ação predadora sobre as abelhas europeias constitui uma séria ameaça à apicultura e aos ecossistemas locais, justificando campanhas de controlo como a realizada em Vila Verde. O trabalho, diga-se, nunca está verdadeiramente concluído, exigindo vigilância constante e a pronta resposta a novas deteções.
NR/HN/Lusa



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