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O governo norte-americano avançou esta quarta-feira com uma nova série de sanções financeiras, visando especificamente organizações de caridade que, na leitura de Washington, atuam como braços ocultos do Hamas. A medida, anunciada pelo Departamento do Tesouro, congela bens nos Estados Unidos e proíbe transações com as entidades e um indivíduo listados.
No centro da ação está a Conferência Palestiniana para os Palestinianos no Estrangeiro (PCPA), uma estrutura com atividades no Líbano e que organizou encontros na Turquia. As autoridades norte-americanas sustentam que, apesar de se apresentar como representante dos palestinianos da diáspora, a PCPA é “secretamente controlada pelo Hamas”. O Tesouro afirma que o grupo foi um dos principais impulsionadores das flotilhas civis que tentaram romper o bloqueio marítimo israelita a Gaza em anos anteriores. O responsável Zaher Khaled Hassan Birawi (na imagem), residente no Reino Unido e ligado à PCPA, foi também individualmente sancionado.
Paralelamente, a ordem executiva atinge seis associações com sede na Faixa de Gaza que, na superfície, se dedicam a prestar auxílio médico e outros serviços humanitários à população civil. A acusação, porém, é grave: o Tesouro alega que estas instituições operam na realidade como instrumentos de apoio logístico e financeiro às Brigadas Ezzedine al-Qassam, o braço armado do Hamas. Os nomes das organizações não foram todos detalhadamente explorados no comunicado inicial, que foca a atenção na natureza genérica da alegada fachada.
“A Administração não fechará os olhos enquanto os dirigentes do Hamas e os seus cúmplices explorarem o sistema financeiro para financiar operações terroristas”, declarou o subsecretário do Tesouro para o Terrorismo e Inteligência Financeira, John Hurley. A linguagem utilizada reflete uma postura de tolerância zero que tem caracterizado a abordagem norte-americana, embora analistas por vezes questionem a eficácia prática destas medidas no terreno complexo de Gaza.
As implicações são imediatas: todos os bens que estas entidades e o indivíduo visado possuam sob jurisdição norte-americana ficam bloqueados. Além disso, qualquer pessoa ou empresa dos Estados Unidos fica proibida de efetuar transações com eles, sob pena de enfrentar sanções secundárias. O impacto real, contudo, depende da extensão dos ativos financeiros que os designados tenham em dólares ou em ligações com o sistema bancário internacional.
Este movimento ocorre num contexto regional ainda marcado pelas consequências do conflito de 2023, desencadeado pelo ataque do Hamas a Israel em outubro desse ano. A Faixa de Gaza permanece numa situação humanitária extremamente difícil, o que torna a acusação de desvio de fundos de caridade um tema particularmente sensível e de elevada carga política. As organizações não governamentais em Gaza operam frequentemente sob condições precárias e sob acusações cruzadas de várias partes envolvidas no conflito.
A notícia surge assim como mais um capítulo na longa estratégia de pressão económica e diplomática dos Estados Unidos sobre o Hamas, considerado uma organização terrorista por Washington, Israel e a União Europeia, entre outros. Resta saber como é que esta decisão será recebida pelos parceiros regionais e que efeito terá no já frágil ecossistema de ajuda na faixa costeira palestiniana.
NR/HN/Lusa10



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