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A investigadora responsável, Mariana Rodrigues, professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, sublinha que uma restrição total, seja parental ou legislativa, não é a solução mais eficaz para mitigar estes riscos. Em vez disso, defende uma maior regulamentação e controlo dos algoritmos das plataformas digitais, que facilitam a publicação e recomendação de conteúdos potencialmente nocivos a crianças e jovens.
O estudo revelou que 61,1% dos jovens foram expostos a conteúdos sobre violência, ódio, automutilação ou métodos de suicídio de forma não intencional, sendo que 67,1% dos entrevistados afirmaram ter ficado perturbados com o que viram. Mariana Rodrigues destaca que, embora seja fundamental capacitar crianças e jovens para uma utilização mais responsável das tecnologias, a responsabilidade não deve recair exclusivamente sobre eles ou sobre as famílias, mas também sobre as próprias plataformas digitais.
A investigadora alerta para a limitação das restrições legislativas implementadas noutros países, que frequentemente carecem de mecanismos eficazes para controlar o acesso dos jovens com base na idade, o que leva os jovens a encontrar formas alternativas de aceder a conteúdos proibidos. O estudo também evidenciou que posturas parentais restritivas, baseadas em proibições técnicas e controlo rigoroso, não apresentam impacto significativo na redução dos efeitos negativos do ‘cyberbullying’ e da exposição a conteúdos danosos.
Por outro lado, uma parentalidade ativa, caracterizada por diálogo aberto, atenção e comunicação sem tabus, mostra-se mais eficaz não só em reduzir a prevalência dessas experiências negativas, mas sobretudo em atenuar as suas consequências no bem-estar psicológico e na saúde mental dos jovens. A investigadora defende que as regras devem ser negociadas e que a educação para a literacia digital, especialmente nas escolas, deve ser uma prioridade, reconhecendo que a tecnologia e a digitalização são processos irreversíveis.
Esta abordagem integrada, que combina regulação dos conteúdos, maior responsabilidade das plataformas e mediação parental aberta e informada, é apontada como o caminho mais adequado para enfrentar os desafios que a exposição a conteúdos prejudiciais online representa para a juventude portuguesa.
lusa/HN



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