![]()
Num tom que alternava entre a firmeza defensiva e um quase pragmatismo confessional, o chefe do Governo não escondeu as fragilidades. “O nosso Serviço Nacional de Saúde não vive uma situação de caos. Vive situações de dificuldade, situações de constrangimento, mas funciona hoje melhor do que funcionava há um ano”, sustentou Luís Montenegro no debate quinzenal na Assembleia da República. A sua intervenção foi uma réplica direta ao líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, que momentos antes usara a palavra “caos” para descrever a realidade das urgências hospitalares.
Pedro Pinto não se coibiu de traçar um paralelo com os tempos em que Montenegro chefiava a oposição. O deputado lembrou que, em 2023, o agora primeiro-ministro acusava o executivo socialista de presidir a um “caos na saúde”, caracterizado por mais de um milhão e meio de portugueses sem médico de família, esperas intermináveis nas urgências e atrasos de meses em consultas de oncologia. “Hoje continuamos igual”, atirou o parlamentar, com um misto de ironia e exasperação. “Ou seja, o caos que havia em 2022 e em 2023, continua a haver em 2026. Mas agora, como o Governo é do PSD, é um Governo assim mais chique, nós não podemos dizer que existe um caos na saúde.”
A réplica do primeiro-ministro procurou desmontar essa equivalência, insistindo numa narrativa de progresso gradual. Evitou, no entanto, detalhes concretos que ilustrassem essa melhoria, focando-se numa visão mais geral do percurso do SNS. O debate, que poderia ter descido a uma troca de números e indicadores, manteve-se num plano de afirmações mais amplas, com cada lado a fixar-se na sua perceção da realidade. A tensão revelou o fosso político sobre um dos temas que mais preocupa os portugueses, deixando claro que, mesmo sem “caos”, os constrangimentos continuam a ditar o quotidiano de muitos utentes e profissionais.
NR/HN/Lusa



0 Comments