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A gigante alimentar francesa Danone anunciou esta sexta-feira a extensão, para outros mercados, da recolha preventiva de determinados lotes de sua produção de leite em pó para crianças. A decisão surge na sequência de recomendações atualizadas emitidas por autoridades de alguns países, apenas dois dias depois de Singapura ter bloqueado a venda do produto. Uma fonte próxima do processo, que falou sob anonimato, apontou que esse aumento de alertas regulamentares tem sido particularmente visível na Irlanda.
Em comunicado, o grupo declarou que vai “proceder à retirada de um número muito limitado de lotes específicos” para cumprir com essas novas diretrizes. A medida é descrita como um ato de precaução máxima, motivado pelo cenário regulatório em evolução, e não por uma deteção de não-conformidade nos seus próprios controlos. A Danone assegura que as análises de rotina e os testes específicos adicionais, realizados no contexto atual do setor, confirmam que os seus artigos são seguros e cumprem todos os regulamentos de segurança alimentar aplicáveis.
Este alargamento ocorre num período sensível para a indústria. Vários lotes de leite em pó infantil de outras marcas, como Nestlé e Lactalis, foram recentemente recolhidos em França e no estrangeiro devido à possível presença de cereulida, uma toxina gerada por certas estirpes de bactérias. Em território francês, a situação ganhou contornos mais dramáticos com a abertura de duas investigações criminais, em Bordéus e Angers, relacionadas com a morte de dois bebés que tinham consumido leite em pó da Nestlé sujeito a recolha por uma potencial contaminação. As autoridades de saúde francesas sublinham, contudo, que uma relação causal direta ainda não foi estabelecida.
Dirigindo-se aos pais e aos profissionais de saúde, a Danone garantiu que estes “podem continuar a ter total confiança na segurança e qualidade” dos seus produtos de nutrição infantil. O grupo encorajou ainda os consumidores com dúvidas a contactarem diretamente o seu serviço de apoio ao cliente. A movimentação da empresa reflete a pressão crescente sobre os fabricantes para adotarem uma postura hipercautelosa num mercado a ferver, onde a mínima suspeita gera ondas de alarme que rapidamente cruzam fronteiras.



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