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A compra de 275 viaturas destinadas ao Instituto Nacional de Emergência Médica foi formalmente adjudicada a três operadores económicos, num processo gerado pela Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública. A decisão do Conselho Diretivo da ESPAP, datada de 7 de janeiro, contempla a Honda Motor Europe, a SIVA – Sociedade de Importação de Veículos Automóveis e um agrupamento formado pela Onda Predileta Lda. e pela Auto Maran, S.A.. Os adjudicatários foram notificados a 8 de janeiro para apresentarem a habitual documentação de habilitação e constituírem a caução exigida, aguardando-se agora o visto prévio do Tribunal de Contas para que o procedimento possa avançar.
O anúncio público desta aquisição maciça, no valor global de 16,8 milhões de euros, coube ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, durante o debate quinzenal na Assembleia da República. No seu discurso, Montenegro traçou um contraste claro com o passado recente, sublinhando que a anterior década registara a aquisição de apenas 100 veículos para o INEM, num montante total que não ultrapassou os 4,2 milhões de euros. “Estamos a resolver um problema crónico e a inverter um desinvestimento que herdámos”, afirmou o líder do executivo, que prometeu para este ano outras reformas em áreas essenciais. O lote encomendado integra 163 ambulâncias, 34 viaturas médicas de emergência e reanimação e 78 veículos de outros tipos, destinados a funções de apoio.
A revelação desta adjudicação ocorreu numa semana particularmente sombria para a emergência médica em Portugal, marcada pela morte de pelo menos três pessoas após contactos com o INEM em que os meios de socorro não chegaram a tempo. Perante estes episódios, que motivaram uma auditoria interna a um dos casos, o Instituto negou quaisquer responsabilidades diretas, apontando antes para a escassez crónica de recursos e para problemas operacionais como a retenção de macas nas unidades hospitalares, um mal que persiste e condiciona a circulação das ambulâncias. A nova frota, quando operacional, pretende atacar precisamente uma dessas fragilidades.
NR/HN/Lusa



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