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A Universidade do Algarve anunciou esta semana a atribuição do Prémio Carreira Alumni 2025 a João Ministro, um nome incontornável quando se fala de conservação da natureza e de desenvolvimento regional no Algarve. A cerimónia formal de entrega está agendada para o próximo dia 29 de janeiro, às 17h00, no Anfiteatro Verde da Faculdade de Ciências e Tecnologia, no Campus de Gambelas, e contará com a presença da reitora da UAlg, Alexandra Teodósio.
Natural e residente em Loulé, João Ministro começou por trilhar o seu caminho académico precisamente nesta instituição, ingressando em Engenharia do Ambiente no longínquo ano de 1993. O percurso, que só viria a concluir o curso em 2000, espelha desde cedo uma certa teimosia positiva, um compromisso com o território que moldou toda a sua vida profissional. Bem antes do diploma, já nos anos 90, mergulhara de cabeça no ativismo ambiental através da Associação Almargem, onde deixou marca em iniciativas pioneiras de ecoturismo e desenvolvimento para o interior.
Após a formação, rumou ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, coordenando entre 2000 e 2004 um crucial projeto Life-Natureza para proteger aves aquáticas nas salinas do Estuário do Sado. Regressado ao Algarve, dedicou os seis anos seguintes à implementação e gestão da Via Algarviana. Foi uma fase de intensa germinação de ideias. Desse período nasceram, entre outros, o Festival de Observação de Aves de Sagres – hoje um cartaz de dimensão internacional –, a estratégia regional de ecoturismo e o primeiro plano de ação para o turismo ornitológico na região.
Mas João Ministro nunca se acomodou. Em 2010, decidiu lançar a sua própria empresa, a Proactivetur, vocacionada para um turismo responsável e para a valorização do património. Os projetos multiplicaram-se, quase sempre com um fio condutor: fixar valor e pessoas nos territórios mais frágeis. Criou e coordenou o Projeto Querença, entre 2011 e 2015, focado no empreendedorismo jovem em meio rural. Em 2013, assumiu a gestão do Projeto TASA, uma iniciativa determinante para preservar o artesanato tradicional algarvio da erosão do tempo.
A sua capacidade de juntar pessoas em torno de causas concretas levou-o, em 2017, a cofundar a Cooperativa QRER, dedicada ao desenvolvimento de territórios de baixa densidade. Paralelamente, foi deixando a sua assinatura em iniciativas como o Loulé Criativo, o Festival de Caminhadas do Ameixial ou o Festival de Turismo Criativo do Algarve. Coordenou estudos e publicações, caso do notável “Red Book – Lista vermelha das Atividades Artesanais Algarvias”, que valeu à equipa o Prémio Manuel Gomes Guerreiro, atribuído pela própria UAlg.
Apesar do ritmo de trabalho, nunca abandonou o lado ativista, colaborando de forma voluntária com a Almargem ou com a Associação Rota Vicentina. É essa conjugação rara entre visão estratégica e intervenção prática no terreno que a Universidade do Algarve agora celebra. “É com enorme satisfação que distinguimos um alumni cujo percurso exemplar tem tido um impacto tão profundo na nossa região”, referiu a reitora Alexandra Teodósio, sublinhando o contributo de João Ministro para “modelos de desenvolvimento que olham para o património natural e cultural como um todo indissociável”.
O próprio homenageado, contactado pela organização, mostrou-se surpreendido com a distinção. “Isto é, de certa forma, o reconhecimento do trabalho de muitas pessoas e organizações com quem tenho tido o privilégio de colaborar ao longo destas décadas”, afirmou, num tom caracteristicamente modesto. A cerimónia de entrega do prémio é aberta à comunidade académica e ao público em geral.
Mais informações sobre o evento podem ser consultadas através do site da Universidade do Algarve.
PR/HN/MM



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