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O Núcleo de Estudos de Doenças Auto-Imunes (NEDAI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna reativou e transformou profundamente o RIDAI, uma ferramenta considerada crucial para o panorama clínico nacional. A migração para uma nova infraestrutura digital, concretizada ao longo do ano passado, permitiu dotar o registo de funcionalidades antes inexistentes, como a análise de dados em tempo real e a incorporação sistemática de métricas reportadas diretamente pelos doentes.
Com uma abrangência que se estende de norte a sul do território, incluindo as ilhas, a plataforma consolidou-se como um dos maiores registos ativos na sua área. Agrega informação detalhada sobre patologias complexas e particularmente incapacitantes, caso do Lúpus Eritematoso Sistémico ou da Esclerose Sistémica, num esforço para traçar um retrato fiel da realidade portuguesa. O processo, que conta com autorização da Comissão de Ética para a Investigação Clínica, assenta no consentimento informado e sincroniza-se com o INFARMED para notificação de reações adversas, reforçando a sua utilidade em farmacovigilância.
“A reformulação do RIDAI nasceu da necessidade imperiosa de dotarmos a Medicina Interna de uma ferramenta robusta para gestão e estudo das doenças autoimunes”, explicou o Dr. Carlos Carneiro, Coordenador do NEDAI. O responsável sublinhou que a plataforma, ao permitir comparar perfis de doença e terapêuticas entre diferentes hospitais, pode gerar alertas clínicos valiosos e apoiar decisões que, no fim de contas, se refletem na qualidade de vida das pessoas. “O objetivo é torná-la uma referência, aberta à colaboração e capaz de incorporar, num futuro próximo, ferramentas de inteligência artificial para análise preditiva”, acrescentou.
Desenvolvido em parceria com as empresas TonicApp, IQVIA e Is4science, o sistema garante a confidencialidade através de encriptação e padroniza a recolha de uma vasta gama de parâmetros — desde características clínicas e laboratoriais a terapêuticas, eventos adversos e até dados de estilo de vida, validados em cada consulta. Esta minúcia na recolha possibilita não só caracterizar a população portuguesa com estas doenças, como avaliar com maior precisão o impacto das estratégias terapêuticas e identificar fatores de prognóstico.
O RIDAI representa a evolução natural de um trabalho pioneiro iniciado em 2003 com o registo de artrite reumatoide. Ao longo dos anos, este tipo de instrumento mostrou-se fundamental para uniformizar critérios e melhorar a vigilância clínica, ajudando a consolidar o papel da Medicina Interna portuguesa num domínio médico complexo e em constante mutação. Agora, com nova vida, ambiciona servir de alavanca para a produção científica nacional e para uma integração mais sólida em redes internacionais de investigação.
PR/HN/MM



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