Táxis disponíveis para transporte de doentes e alívio das ambulâncias

23 de Janeiro 2026

A ANTRAL colocou-se à disposição do Governo para retomar o transporte de doentes não urgentes, um mecanismo que já funcionou no passado. A associação defende que esta colaboração libertaria recursos das emergências médicas

A Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) declarou esta sexta-feira, em comunicado, a sua “total disponibilidade” para voltar a assegurar transportes de doentes, particularmente em situações consideradas não urgentes. A proposta, já formalmente dirigida ao Executivo, visa descongestionar a pressão sobre as ambulâncias e os sistemas de emergência.

A ideia não é nova, e a ANTRAL faz questão de o recordar. Num registo que mescla oferta de serviço com um claro argumento de eficácia, a associação evoca um modelo anterior, já testado, em que os táxis garantiam o transporte para centros de saúde, hospitais e outras instituições públicas. Esse serviço funcionava ininterruptamente, algo que a estrutura está pronta a replicar.

No fundo, a mensagem é clara: o sector está ali, com uma frota disseminada pelo território, e pode ser acionado de imediato. A iniciativa, sustentam, serviria o interesse nacional ao potenciar uma melhor gestão dos meios públicos. Há mesmo um dado concreto no comunicado, que parece querer sublinhar uma certa lógica económica por vezes ausente nestas discussões. A ANTRAL alega que “os preços praticados no transporte de utentes por parte dos bombeiros são, em muitos casos, superiores aos praticados pelo setor do táxi”. E lança uma questão prática, quase prosaica, sobre a racionalidade de usar “veículos (…) com cinco ou mais lugares para transportar apenas dois ou três utentes”.

O raciocínio da associação vai além da mera disponibilidade. A sua tese central é que uma colaboração estruturada poderia ajudar a resolver um nó crítico: a falta de ambulâncias e de condutores para as verdadeiras emergências. Ao delegar os transportes não urgentes nos táxis, os meios de socorro poderiam ser realocados com mais precisão para as situações que efetivamente os exigem. É uma proposta que tenta, num só gesto, apresentar-se como solução prática e como otimização de custos para o erário público.

A bola está agora, como se costuma dizer, no campo do Governo. A ANTRAL afirma ter reafirmado a sua “total abertura para trabalhar em articulação com as entidades competentes”, aguardando agora um sinal para avançar com os necessários protocolos. O tempo de resposta será, como em tudo na saúde, um fator a observar.

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Estudo revela que 7 em cada 10 mulheres com enxaqueca hormonal não recebem tratamento personalizado

Um estudo da European Migraine and Headache Alliance (EMHA), realizado em colaboração com a MiGRA Portugal, revelou que 70% das mulheres que sofrem de enxaqueca hormonal não recebem um tratamento adaptado ao seu padrão de sintomas. A investigação envolveu 5.410 participantes de 13 países europeus, incluindo 464 respostas de Portugal, e foi apresentada recentemente no Parlamento Europeu.

Bastonário acusa Direção Executiva do SNS de limitar consultas e cirurgias em 2026

A Ordem dos Médicos manifestou preocupação com a orientação da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para travar, em 2026, o aumento de consultas e cirurgias nos hospitais e limitar o reforço de recursos humanos e financeiros, considerando que a medida poderá agravar a pressão já existente sobre o sistema e ter impacto negativo na resposta aos doentes.

Ordem dos Médicos lamenta morte de Joaquim Fidalgo Freitas

O antigo diretor do departamento de psiquiatria de Viseu e fundador da Associação Portuguesa para as Perturbações dos Desenvolvimento e Autismo (APPDA) de Viseu, Joaquim Fidalgo Freitas, morreu na segunda-feira aos 78 anos.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights