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A Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) declarou esta sexta-feira, em comunicado, a sua “total disponibilidade” para voltar a assegurar transportes de doentes, particularmente em situações consideradas não urgentes. A proposta, já formalmente dirigida ao Executivo, visa descongestionar a pressão sobre as ambulâncias e os sistemas de emergência.
A ideia não é nova, e a ANTRAL faz questão de o recordar. Num registo que mescla oferta de serviço com um claro argumento de eficácia, a associação evoca um modelo anterior, já testado, em que os táxis garantiam o transporte para centros de saúde, hospitais e outras instituições públicas. Esse serviço funcionava ininterruptamente, algo que a estrutura está pronta a replicar.
No fundo, a mensagem é clara: o sector está ali, com uma frota disseminada pelo território, e pode ser acionado de imediato. A iniciativa, sustentam, serviria o interesse nacional ao potenciar uma melhor gestão dos meios públicos. Há mesmo um dado concreto no comunicado, que parece querer sublinhar uma certa lógica económica por vezes ausente nestas discussões. A ANTRAL alega que “os preços praticados no transporte de utentes por parte dos bombeiros são, em muitos casos, superiores aos praticados pelo setor do táxi”. E lança uma questão prática, quase prosaica, sobre a racionalidade de usar “veículos (…) com cinco ou mais lugares para transportar apenas dois ou três utentes”.
O raciocínio da associação vai além da mera disponibilidade. A sua tese central é que uma colaboração estruturada poderia ajudar a resolver um nó crítico: a falta de ambulâncias e de condutores para as verdadeiras emergências. Ao delegar os transportes não urgentes nos táxis, os meios de socorro poderiam ser realocados com mais precisão para as situações que efetivamente os exigem. É uma proposta que tenta, num só gesto, apresentar-se como solução prática e como otimização de custos para o erário público.
A bola está agora, como se costuma dizer, no campo do Governo. A ANTRAL afirma ter reafirmado a sua “total abertura para trabalhar em articulação com as entidades competentes”, aguardando agora um sinal para avançar com os necessários protocolos. O tempo de resposta será, como em tudo na saúde, um fator a observar.
NR/HN/Lusa



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