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Ana Paula Martins, que falava aos jornalistas no Porto à margem de uma conferência sobre o futuro da saúde na Europa, admitiu que a questão financeira, ainda que relevante, não esgota a complexidade do problema. A governante citou um leque de outros factores que desmotivam os candidatos, do plano de carreiras à falta de flexibilidade, passando pela dificuldade em conciliar a vida profissional com a pessoal. “Ali estão, de facto, muitas vezes deslocados da zona onde trabalham, deslocados no sentido habitacional”, explicou, referindo-se aos jovens especialistas. Sobre as vagas em regime carenciado, que acarretam um incentivo financeiro adicional, a ministra notou que mesmo essas medidas não conseguiram dar uma resposta completa à escassez de candidaturas. Perante a persistência do cenário, Ana Paula Martins apontou para um trabalho meticuloso que está a ser desenvolvido pela Direção Executiva do SNS, trabalho esse que descreveu como “quase cirúrgico”. Apesar de admitir que muitas posições vão ficar vazias, a ministra procurou destacar um aspecto positivo: cerca de 24 mil utentes vão, ainda assim, conseguir ter médico de família atribuído. O concurso de segunda época para a especialidade de Medicina Geral e Familiar revelou assim fragilidades profundas na atratividade da profissão, num dos territórios onde a pressão sobre os cuidados de saúde primários é mais visível. A governante não avançou prazos concretos para novas soluções, limitando-se a sublinhar a análise em curso.
NR/HN/Lusa



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