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As gotas que caíram na noite de quarta-feira reacenderam um debate antigo. O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) de Coimbra voltou a denunciar publicamente as infiltrações de água no Centro de Saúde Norton de Matos, apontando o dedo ao que classifica como desinvestimento crónico na unidade. A situação, segundo a organização em comunicado, não é nova, mas sim “repetente” e amplamente conhecida, colocando em causa a segurança de quem usa e trabalha no edifício.
Do outro lado, a Unidade Local de Saúde de Coimbra minimizou o impacto do ocorrido. Uma fonte da ULS disse que as entradas de água aconteceram durante o período noturno, garantindo que durante o horário de atendimento ao público o funcionamento não foi perturbado. Já a Câmara Municipal de Coimbra, entidade gestora do imóvel, informou ter mobilizado equipas “de imediato” após o alerta, resolvendo a situação antes da abertura das portas.
A resposta oficial não convence o movimento de utentes. Para o MUSP, tentar associar estes episódios à tempestade Ingrid é um exercício de distração. O cerne da questão, insistem, escapa às intempéries pontuais e mergulha nas raízes de um problema mais fundo: “anos de desinvestimento continuado” no parque edificado do SNS. A nota do movimento pinta um quadro de degradação progressiva, alimentada por intervenções avulsas e pelo adiamento sistemático de decisões que implicariam obras de fundo.
A autarquia, no entanto, traçou um horizonte diferente na sua resposta. Referiu existir um projeto concreto para ampliação e requalificação da unidade, com financiamento assegurado pelo Plano de Recuperação e Resiliência. O investimento elegível ronda os 3,9 milhões de euros. Paralelamente, a câmara adiantou que está em curso uma análise para reforçar os mecanismos de manutenção preventiva, numa tentativa de evitar recorrências.
Enquanto os prazos da obra prometida não se concretizam, o cenário no Norton de Matos permanece, na ótica dos utentes organizados, como um espelho de uma realidade nacional. Edifícios que envelhecem sem a necessária revitalização, condições que se desgastam e um sentimento de abandono que, gota a gota, mina a confiança no serviço público de saúde.
NR/HN/Lusa



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