Médicos açorianos aderem massivamente a regime de dedicação plena

24 de Janeiro 2026

A secretária regional da Saúde, Mónica Seidi, revelou que 85% dos médicos elegíveis nos Açores aderiram ao regime regional de dedicação plena, um modelo com condições mais favoráveis que o nacional. A governante destacou a medida durante a receção dos novos internos

Na cerimónia de receção aos novos médicos internos, em Ponta Delgada, a secretária regional da Saúde e Segurança Social não escondeu uma satisfação contida. Mónica Seidi usou o palco para fazer um ponto de situação sobre políticas de atração e fixação de profissionais, num contexto em que a concorrência com outras regiões do país é feroz. O número que mais ressoou no salão foi, contudo, um: 85%. É a percentagem de adesão ao regime regional de dedicação plena, que abrange atualmente 370 dos 436 médicos elegíveis no arquipélago.

“Resultados expressivos”, classificou a governante, argumentando que o modelo diferenciador da região, com condições percecionadas como mais vantajosas, demonstra “atratividade e eficácia”. A secretária, lendo por vezes as notas que tinha diante de si, insistiu na narrativa de um esforço governamental “muito significativo” para modernizar o Serviço Regional de Saúde (SRS), mencionando a aquisição de nova tecnologia e equipamentos sem, no entanto, entrar em pormenores técnicos que pudessem esvaziar o discurso.

O momento serviu também para enumerar, num tom mais burocrático, outras medidas. Foi destacada a valorização dos orientadores de formação através de um suplemento mensal de 200 euros, uma norma aprovada no Orçamento regional. E houve tempo para referir o Acordo de Contrato de Trabalho de 2025, que trouxe, nas palavras da nota oficial, “melhorias significativas”. A lista é longa: mais tempo para orientação, contagem do tempo de serviço no período experimental, um regime de férias mais favorável, mais dias de formação anual, jornada contínua para grávidas e uma redefinição do trabalho noturno. A enunciação foi feita de forma corrida, quase como um rápido relembrar.

Num giro mais pessoal, Seidi dirigiu-se depois diretamente aos novos internos, pedindo-lhes que nunca negligenciem o “lado mais humanista” da medicina. Foi um instante breve, emocional, que quebrou a cadência administrativa do discurso.

No capítulo da formação, a governante registou um avanço concreto para 2026: a abertura e preenchimento da capacidade formativa em três novas especialidades. A Pediatria e a Medicina Física e de Reabilitação irão funcionar no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, enquanto a Medicina de Urgência e Emergência ficará sediada no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada. Uma expansão que, garantiu, reforça a autonomia formativa da região. A cerimónia terminou sem espaço para perguntas, deixando os detalhes mais fincados nas entrelinhas da comunicação oficial.

NR/HN/Lusa

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