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A nomeação surgiu a título pessoal, um detalhe que Miguel Durães não deixa de sublinhar, fruto do seu percurso e não das funções que atualmente exerce como Coordenador da Capital Mundial da Saúde Mental. A World Federation for Mental Health (WFMH), fundada em 1948 e com estatuto consultivo permanente na ONU há décadas, escolheu-o para o grupo que vai influenciar a agenda global nesta área. A federação, que agrega mais de 150 países e uma rede vasta de especialistas, governos e instituições, é um ator central nos debates internacionais sobre saúde mental.
O convite formal, já confirmado por documento oficial, coloca Durães num fórum onde se discutirá, sem fronteiras simplistas, a integração da saúde mental nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A pauta é ampla e complexa, passando pela promoção da saúde mental como um direito humano inalienável, pela urgência de políticas baseadas em evidência científica e pelo desafio de intervir em cenários de crise humanitária ou exclusão social. Haverá ainda espaço para trabalhar a ligação, tantas vezes frágil, entre os sistemas de saúde, as políticas sociais e o bem-estar psicológico das populações, sem esquecer o combate persistente ao estigma e à discriminação.
Para Portugal, a presença de um representante nestes círculos de debate internacionais é vista como um destaque significativo. Reforça a visibilidade do país e, de certa forma, valida o trabalho desenvolvido a nível local, agora projetado para uma escala global. Na prática, significa que experiências e abordagens portuguesas poderão influenciar diretamente as recomendações que sairão deste grupo de trabalho da ONU.
Contactado, Miguel Durães reagiu com uma mistura de honra e pragmatismo. “Recebo esta nomeação com enorme honra, sentido de responsabilidade e profunda humildade”, afirmou. O presidente da RECOVERY IPSS deixou claro que o reconhecimento individual o compromete a um trabalho redobrado, prometendo colocar a sua experiência ao serviço da causa, em articulação com instituições nacionais e internacionais. “Estou inteiramente disponível para colaborar com a Board da World Federation for Mental Health, com as entidades competentes do Estado português e com as instituições internacionais relevantes, sempre que entendam que o meu contributo possa ser útil”, acrescentou, deixando um contacto direto para eventuais esclarecimentos.
A notícia, divulgada inicialmente através de uma nota de imprensa da RECOVERY IPSS, com sede em Barcelos, rapidamente ganhou destaque nos círculos especializados. A instituição, que pode ser conhecida melhor através do seu site www.recovery.pt, vê assim o seu líder catapultado para um palismo onde se desenham, literalmente, as linhas de ação para o futuro da saúde mental no mundo. O caminho, como o próprio Durães sugere, será de colaboração estreita, tentando traduzir o conhecimento acumulado no terreno em políticas globais eficazes e humanizadas.
PR/HN/MM



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