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A presidente do PS/Madeira, Célia Pessegueiro, voltou a traçar uma linha de frente política clara esta sexta-feira, ao insistir que o partido se mantém “totalmente contra” a hipótese, avançada pelo governo regional, de vender o imóvel do atual Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal. A afirmação, contundente, surgiu após os trabalhos da primeira reunião da nova comissão política regional do partido, e aponta para um prolongado conflito sobre o destino de um equipamento que tem marcado a paisagem urbana e a vida dos madeirenses.
O argumento central dos socialistas, esgrimido por Pessegueiro numa intervenção aos jornalistas, assenta no investimento público recente feito no edifício. A líder insular apontou o dedo ao que classificou como um contrassenso, mencionando “avultados milhões de euros” aplicados na remodelação de várias alas. O exemplo mais fresco, citou, é um concurso público de três milhões de euros, lançado há meros dois meses e financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, destinado precisamente a renovar dois pisos do hospital. “Não faz sentido abrir um novo hospital levando atrás todos os problemas que existem atualmente de falta de organização e de espaço”, afirmou, numa clara crítica à gestão da transição.
Para o PS, o fim da atividade hospitalar principal no “Nélio Mendonça” não deve significar o seu abandono ou a sua passagem para mãos privadas. Em vez disso, Célia Pessegueiro delineou um futuro alternativo para aquelas instalações: acolher unidades de cuidados continuados, paliativos e de reabilitação, além de servir de resposta para as chamadas altas problemáticas – situações de doentes que já não necessitam de internamento hospitalar agudo, mas para quem não existe uma rede de apoio suficiente na comunidade. Segundo dados do partido, cerca de 250 pessoas na região encontram-se atualmente nessa situação de limbo.
Esta posição colide frontalmente com a intenção manifestada pelo presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, na passada sexta-feira. O líder do executivo madeirense, social-democrata, afirmou sem rodeios que a alienação do imóvel “já está decidida”. A receita da venda, explicou Albuquerque à margem de um fórum em Câmara de Lobos, será canalizada para amortizar parte dos avultados custos da construção do novo Hospital Central e Universitário, atualmente em curso. “A utilidade [do imóvel] é o que está já consignado”, disse, fechando a porta a outras hipóteses.
Percebendo a dimensão do embate, o grupo parlamentar do PS na Assembleia Legislativa da Madeira já avançou com um projeto de resolução destinado a travar a operação de venda. O documento, que será debatido no hemiciclo regional, procura consagrar legalmente a utilização do imóvel como hospital secundário, vocacionado para as valências que a oposição defende. A batalha promete extravasar o tradicional eixo de conflito entre PS e PSD, uma vez que outras forças políticas, como o JPP e o Chega, também já expressaram reservas públicas ao plano do governo.
A reunião do partido, que serviu de palco ao reforço da posição de Célia Pessegueiro, serviu também para concluir a composição dos órgãos sociais. Foram eleitos o novo secretário-geral, Leonardo Santos, e três vice-presidentes: Sérgio Gonçalves, Mafalda Gonçalves e Avelino Conceição. A líder fez questão de sublinhar que os critérios para o Secretariado Regional passaram por uma “distribuição territorial”, tentando assegurar representação de todos os concelhos, equilíbrio geracional e paridade entre sexos. Num gesto de continuidade, a comissão aprovou ainda a proposta para atribuir a Duarte Caldeira o título de presidente honorário do PS/Madeira.
NR/HN/Lusa



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