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Este posicionamento resulta da cimeira anual da ICMRA, realizada em outubro de 2025, em Amesterdão, bem como de uma sessão temática dedicada ao tema “Regulators as communicators: Promoting science and trust”. No documento agora aprovado, os reguladores reconhecem formalmente que a comunicação não é apenas uma função acessória das autoridades do medicamento, mas um pilar estruturante da sua missão de saúde pública, com impacto direto na perceção, compreensão e aceitação das decisões regulatórias por parte da população.
A declaração identifica um conjunto de desafios crescentes no atual contexto da comunicação em saúde. Os reguladores de todo o mundo reconhecem que os padrões de consumo de informação estão a mudar rapidamente, com uma fragmentação das fontes informativas e uma diminuição progressiva da confiança nas instituições públicas e nos especialistas. Este fenómeno é acompanhado por uma crescente procura de informação sobre saúde junto de fontes não tradicionais, como familiares, amigos ou influenciadores nas redes sociais, muitas vezes fora do enquadramento científico e regulatório.
A disseminação de desinformação é apontada como um dos fatores mais críticos deste novo ecossistema comunicacional, com impactos diferenciados entre gerações e potencial para comprometer decisões individuais e coletivas em matéria de saúde. A ICMRA assinala que este cenário torna mais exigente a missão das autoridades reguladoras, que comunicam frequentemente com base em dados científicos complexos e avaliações técnicas rigorosas, nem sempre facilmente compreensíveis para o público em geral.
Perante estes desafios comuns, os participantes da cimeira sublinharam a necessidade de uma resposta mais arrojada, inovadora e colaborativa por parte das autoridades reguladoras. A declaração destaca que, para se manterem relevantes e merecedoras da confiança do público, as entidades reguladoras devem adaptar as suas estratégias de comunicação às expectativas e necessidades de públicos cada vez mais diversos, recorrendo a novas abordagens, formatos e ferramentas de comunicação.
As autoridades reconhecem ainda a importância de um esforço global e coordenado para melhorar a comunicação regulatória e científica, promovendo a partilha de boas práticas, a aprendizagem conjunta entre reguladores e a inovação contínua. Este trabalho colaborativo é considerado essencial para reforçar a coerência das mensagens transmitidas, aumentar a literacia em saúde e fortalecer a confiança dos cidadãos nos sistemas de saúde e no processo regulatório do medicamento.
Fonte:INFARMED
Infarmed/HN/AL



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