![]()
Celebra-se a 30 de janeiro o Dia Internacional das Doenças Tropicais Negligenciadas. O lema em 2026 é “Unite. Act. Eliminate.” (“Unir. Agir. Eliminar.”), com foco nos progressos obtidos e nas ações necessárias para manter e intensificar esforços coordenados e sustentáveis para controlo e eliminação destas doenças globalmente.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN) como um conjunto de 21 patologias causadas por bactérias, vírus, parasitas e toxinas, que afetam 1 mil milhões de pessoas globalmente. Atingem principalmente os mais pobres, aqueles que vivem em zonas rurais, bairros de lata ou áreas de conflito, sem acesso a cuidados de saúde adequados, sem visibilidade, sem voz. O impacto das DTN na saúde dos indivíduos afetados é dramático, não só em termos de mortalidade, como de morbidade causadora de incapacidade (temporária ou permanente), discriminação e estigma. As comunidades atingidas ficam aprisionadas num ciclo duradouro de pobreza que impede o seu desenvolvimento.
As DTN podem ser transmitidas por insetos, pela água ou alimentos, por contacto com o solo ou animais, ou entre humanos. Frequentemente, várias DTNs coexistem numa determinada área, por nela estarem presentes condições ambientais, ecológicas, sanitárias e sócio-económicas precárias e deletérias que permitem a sua continuidade.
O Programa Global da OMS para as DTN, envolvendo a indústria farmacêutica, os parceiros de desenvolvimento, as autoridades de saúde nacionais e organizações filantrópicas, tem originado uma diminuição significativa na carga global destas doenças, com o número de pessoas afetadas passando de 1.9 mil milhões em 1990 para pouco mais de 1 mil milhões em 2021. Até 2030, várias DTN estão nas metas da OMS para erradicação, eliminação ou controlo.
Para atingir estes objetivos será necessário priorizar as ações críticas e um planeamento estratégico capaz de fazer face aos desafios trazidos pelas alterações climáticas (que estão a expandir as doenças transmitidas por insetos, como o dengue e chikungunya para novas áreas, incluíndo Europa), aos conflitos geopolíticos, à migração, às crises humanitárias e à instabilidade crescentes, que trazem dificuldades adicionais no acesso às intervenções para as DTN.
Comemorar esta efeméride é, por isso, essencial: lembra-nos que as DTN não são “doenças distantes”, e que investimento em investigação, cooperação internacional, vigilância e engajamento das comunidades afetadas são decisivos para conservar os ganhos obtidos e prosseguir rumo à sua eliminação em todo o mundo — e também em Portugal.
Papel do IHMT NOVA
O IHMT NOVA, através da sua unidade de investigação, GHTM, desenvolve investigação científica em várias Doenças Tropicais Negligenciadas, contribuindo para o avanço do conhecimento sobre a sua epidemiologia, transmissão, prevenção e controlo.
Através da Consulta de Medicina do Viajante e Medicina Tropical, o IHMT NOVA disponibiliza métodos de prevenção, diagnóstico e tratamento destas doenças, reforçando a ligação entre investigação, prática clínica e saúde global.
Como se transmitem as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs)?
As DTNs podem ser transmitidas de diferentes formas no dia a dia. Eis alguns exemplos:
Picadas de insetos vetores
Podem transmitir doenças como a doença de Chagas, dengue, chikungunya, doença do sono, filarioses e leishmanioses.
Água ou alimentos contaminados
Estão na origem de doenças como as helmintoses intestinais, esquistossomoses e a teníase.
Contacto com o solo ou com animais
Pode levar ao desenvolvimento de micoses, raiva ou resultar em envenenamento por serpentes.
Contacto direto entre pessoas
Responsável pela transmissão de doenças como o tracoma, a framboesia e a lepra.


0 Comments