Excesso de óbitos só será contabilizado após o inverno, afirma ministra da Saúde

26 de Janeiro 2026

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, adiantou que qualquer avaliação sobre o atual excesso de mortalidade em Portugal só poderá ser feita no término da estação fria, associando-o à epidemia de gripe e às baixas temperaturas

O balanço final sobre o excesso de óbitos que se regista atualmente no país, fenómeno que Ana Paula Martins liga diretamente à confluência da epidemia de gripe e do frio, ficará para quando o inverno terminar. A governante, que falava durante uma deslocação de trabalho ao Algarve, justificou a impossibilidade de uma análise mais imediata com a necessidade de se observar a curva epidemiológica entrar num denominado “planalto”, estágio que sucede ao pico de casos. “Não podemos ainda fazer um balanço sobre a mortalidade”, declarou, referindo-se aos contornos do plano sazonal de inverno ainda em execução.

Os dados mais recentes, divulgados na sexta-feira pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa), confirmam que a atividade gripal epidémica, embora em claro abrandamento, continua a gerar um impacto letal. O boletim de vigilância relativo à semana de 12 a 18 de janeiro regista uma tendência decrescente nos casos de gripe, nas infeções respiratórias agudas graves (SARI) e nos internamentos em cuidados intensivos. Apesar disso, o excesso de óbitos mantém-se – um padrão que, segundo a ministra, não é exclusivo de Portugal. Ana Paula Martins apontou para realidades semelhantes em várias nações europeias, como Espanha, Itália, Grécia e Dinamarca. “Este ano há, de facto, um excesso de mortalidade”, admitiu, sem deixar de enquadrar o momento num histórico mais longo de quase quatro décadas, onde se contam “pelo menos três períodos com uma mortalidade ou equivalente ou superior”.

A particularidade portuguesa, na ótica do Governo, residiu na sobreposição temporal de dois fatores de risco. “Portugal foi o país que teve simultaneamente a epidemia de gripe e o frio, duas dimensões com impacto na mortalidade, ao contrário de outros países”, salientou a ministra. Do lado dos números concretos, o Insa reporta, desde o início da época gripal em finais de setembro de 2025, a notificação de 73.292 casos de infeção respiratória pelos laboratórios da rede hospitalar, com 14.243 diagnósticos de gripe. Na semana em análise, identificaram-se 495 casos de gripe, menos 258 que na semana anterior. As admissões por SARI caíram ligeiramente para 75, o que corresponde a uma taxa de incidência global de 9,6 casos por cem mil habitantes. O instituto fez, contudo, uma ressalva metodológica: a análise fica condicionada pela disparidade nas taxas de incidência reportadas pelas duas Unidades Locais de Saúde que alimentam este sistema específico de vigilância. E apontou ainda que, mantendo-se a tendência de descida, a taxa de incidência de SARI persiste mais elevada no grupo etário com 65 ou mais anos.

NR/HN/Lusa

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