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O 2.º Congresso Nacional da Saúde e Ambiente (CNSA 2026) está marcado para os dias 9 e 10 de abril de 2026, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. A iniciativa, organizada pelo Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA), pretende funcionar como um ponto de encontro para decisores, profissionais de saúde, académicos e sociedade civil, num diálogo urgente sobre os efeitos das mudanças ambientais na saúde e a necessária adaptação dos sistemas de cuidados.
A sessão de abertura contará com as presenças da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e da ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho. O programa científico articula-se em sessões plenárias e paralelas, envolvendo perto de uma centena de oradores, e inclui duas conferências, quatro plenárias e doze sessões paralelas. No dia anterior, 8 de abril, realizam-se quatro workshops temáticos dedicados a ferramentas aplicadas, desde a redução do impacto ambiental dos laboratórios de Patologia Clínica e dos blocos operatórios até estratégias urbanas que promovam comportamentos saudáveis e ecológicos.
Uma das conferências de abertura será protagonizada por Sam Myers, especialista em saúde planetária, focando a integração entre saúde e ambiente. Segue-se uma mesa redonda sobre o contributo da inteligência artificial para a sustentabilidade ambiental no setor da saúde. Outros momentos altos do congresso passam por discussões sobre a Dieta Planetária, a adaptação dos sistemas de saúde às alterações climáticas e a abordagem do “Low Value Care” e seu impacto ecológico, com intervenção de Oliver Groene.
Para Luís Campos, presidente do CPSA e do congresso, a ligação é clara: “Se o ambiente está a agravar riscos, o setor da saúde tem de ser parte da solução – reduzindo desperdício, repensando consumos e desenhando cuidados com menos emissões e mais valor”. E acrescenta, numa reflexão que atravessa todo o evento: “Cada decisão que torne o sistema de saúde ambientalmente mais sustentável é também uma decisão de proteção da saúde — hoje e nas próximas décadas.”
O programa dedica blocos específicos a temas de elevada criticidade, como os resíduos, a chamada “doença do plástico”, o impacto ambiental do medicamento e a presença de compostos farmacêuticos no ambiente, sem esquecer os desafios da economia circular aplicada à saúde. Paralelamente, serão analisados mecanismos de preparação e resposta a crises complexas, desde catástrofes climáticas à possibilidade de uma nova pandemia, com enfoque na articulação a nível europeu e nacional.
Riscos emergentes, como as doenças transmitidas por vetores em expansão, zoonoses com potencial pandémico ou os impactos dos incêndios na saúde, ocupam também espaço na agenda. “O alerta é simples: quanto mais degradarmos o planeta, mais abrimos caminho a ameaças à saúde que já não são hipotéticas — são cumulativas, mais frequentes e mais difíceis de conter”, sintetiza Luís Campos.
O congresso encerrará com a apresentação do “Top 3 das comunicações” e a atribuição do Prémio CPSA/Menarini de melhor comunicação. O tema geral – “Juntos por um Planeta Saudável e Sustentável” – espelha a convicção de que soluções integradas e uma cooperação alargada são indispensáveis para enfrentar problemas desta magnitude.
O CPSA, fundado em outubro de 2022, agrega atualmente 105 organizações de diversos setores, desde associações de saúde e ordens profissionais a instituições académicas, empresas e municípios, constituindo-se como a aliança mais transversal do setor em Portugal. O seu objetivo central é minimizar o impacto das alterações ambientais na saúde, reduzir a pegada ecológica do setor e capacitar profissionais e sistemas para uma maior resiliência.
Mais informações e inscrições disponíveis em www.cpsa.pt.



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