Moçambique procura apoio nos EUA para hospital e centro de investigação na Gorongosa

26 de Janeiro 2026

O Governo moçambicano está a tentar uma parceria nos Estados Unidos da América (EUA) para apoio financeiro e institucional à construção de um hospital regional e um centro de investigação na Gorongosa, centro do país, foi hoje anunciado.

“Esta missão reflete a liderança e a visão do Governo de Moçambique na construção de sistemas de saúde resilientes que sirvam as comunidades rurais e reforcem a capacidade nacional em formação e investigação”, lê-se num comunicado do Ministério da Saúde.

Para mobilizar o apoio financeiro, técnico e institucional para a construção do hospital, dentro daquele parque, na província de Sofala, o documento avança que uma missão oficial liderada pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, está a trabalhar nos EUA, procurando também impulsionar a criação de um centro de investigação e formação em saúde que “alinhe as prioridades locais de saúde com a excelência em investigação, educação e clínica da Universidade de Pittsburgh”.

“O futuro Hospital Regional de Gorongosa está projetado para funcionar como um hospital-escola, integrando cuidados hospitalares especializados, formação de recursos humanos em saúde e investigação científica. Por sua vez, a criação de uma unidade de pesquisa de plantas medicinais pretende valorizar a biodiversidade local, impulsionar a produção de medicamentos e promover soluções inovadoras e sustentáveis para os principais desafios da saúde pública no país”, explica-se no documento.

Para concretizar o objetivo já foi assinado um memorando de entendimento entre aquele ministério e o Parque Nacional da Gorongosa, para reforçar a cooperação institucional e alargar o âmbito da parceria para áreas estratégicas como formação médica, investigação aplicada, intercâmbio de profissionais de saúde e sustentabilidade das futuras unidades sanitárias.

Segundo o Governo moçambicano, a missão insere-se ainda no quadro do reforço das parcerias internacionais no setor da saúde, desenvolvidas em coordenação com o Projeto da Gorongosa, que procura integrar a conservação e o desenvolvimento humano, e visa assegurar recursos junto de fundações, instituições filantrópicas e parceiros estratégicos internacionais, contribuindo “não só para a implementação das novas infraestruturas, mas também para o fortalecimento do sistema nacional de saúde”.

Além da mobilização de apoios, a iniciativa visa reforçar a diplomacia em saúde, posicionando Moçambique como um parceiro ativo na promoção de modelos inovadores que articulam assistência médica, ciência e desenvolvimento, para transformar a Gorongosa num “polo de excelência de alcance nacional e regional”.

Em comunicado, o Parque Nacional da Gorongosa manifesta satisfação pela missão, por permitir a construção de sistemas de saúde resilientes que sirvam as comunidades rurais e reforcem a capacidade nacional em formação e investigação.

“Para a Gorongosa, esta parceria representa a nossa crença partilhada de que a conservação e o desenvolvimento humano devem caminhar juntos”, aponta o parque.

A Gorongosa foi o primeiro parque nacional de Portugal em 1960, na época colonial, mas foi dilacerado entre 1977 e 1992 pela guerra civil que se seguiu à independência de Moçambique.

Em 2008, a fundação do filantropo norte-americano Greg Carr assinou com o Governo moçambicano um acordo de gestão do parque por 20 anos – prolongando-o por outros 25 em 2018 – que tem levado à renovação da Gorongosa em várias frentes, com projetos sociais aliados à conservação e com o número de animais a crescer de 10 mil para mais de 102 mil.

O parque conta com 1.700 trabalhadores, incluindo sazonais e uma força de fiscais da natureza que atua em todo o território, onde se produz já café e mel da Gorongosa, a pensar na exportação e que representa um rendimento para milhares de famílias.

lusa/HN

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